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Só uma pesquisa enxergou o Rio Grande do Sul de verdade

Desde abril, a Brasmarket mostrava Zucco eleito no 1º turno e Van Hattem e Sanderson no Senado. Os grandes institutos venderam empate até a última semana.

Jean Mortaza13 de out. de 2026, 10h07· 65 acessos
Só uma pesquisa enxergou o Rio Grande do Sul de verdade
Imagem: arquivo do autor

Zucco foi eleito governador no primeiro turno com 58,07% dos votos válidos. Juliana Brizola ficou com 31,66%. A diferença foi de 26 pontos, ou quase 1,6 milhão de votos.

No Senado, Sanderson (30,12%) e Marcel van Hattem (30,08%) levaram as duas vagas. Manuela d'Ávila ficou em terceiro, com 17,07%.

Agora compare isso com o que o eleitor gaúcho leu durante seis meses.

POR QUE IMPORTAPesquisa eleitoral não é só um termômetro. Ela orienta voto útil, doação, alianças e a cobertura da imprensa. Quem vende "empate técnico" numa eleição decidida por 26 pontos não errou por pouco. Desenhou outra eleição.

O que a Brasmarket mostrou desde abril

A Brasmarket fez quatro rodadas no RS, todas registradas na Justiça Eleitoral, com 1.200 entrevistas cada e contratadas pelo Porto Alegre Oficial. Convertendo os números em votos válidos (o critério do TSE), Zucco aparece na faixa de vitória em primeiro turno em todas elas:

Abril (17 a 21/04, RS-01619/2026): Zucco 57,4% × Juliana 33,3% • Junho (1º a 3/06, RS-07427/2026): Zucco 58,7% × Juliana 29,5% • Agosto (31/08 a 1º/09, RS-06291/2026): Zucco 54,7% × Juliana 33,2% • Setembro (17 e 18/09, RS-07417/2026): Zucco 49,4% × Juliana 31,2% • Urna (04/10): Zucco 58,07% × Juliana 31,66%

Em abril, a seis meses da eleição, a Brasmarket errou o resultado final de Zucco por menos de um ponto. Em junho, por menos de um ponto também.

No Senado foi igual. Na soma do primeiro com o segundo voto, a dupla Van Hattem e Sanderson aparece na frente em todas as rodadas: abril, junho, agosto e setembro. Manuela d'Ávila, Germano Rigotto e Paulo Pimenta sempre atrás.

Quem errou, e por quanto

Os números abaixo são de votos totais, como cada instituto divulgou.

Genial/Quaest (24 a 28/07): Juliana 24% × Zucco 22%. Juliana na FRENTE. No segundo turno simulado, Juliana venceria por 35% a 31%.

Quaest/RBS (agosto): Zucco 26% × Juliana 23%. Manchete de "empate técnico".

Quaest (setembro): Zucco 29% × Juliana 23%. De novo "empatados dentro da margem". No Senado, Manuela d'Ávila aparecia em primeiro lugar.

Paraná Pesquisas (agosto): Zucco 34,4% × Juliana 31,4%, 3 pontos. No Senado, Manuela liderava com 33,6%.

Paraná Pesquisas (16 a 18/09, RS-00319/2026): Zucco 36,4% × Juliana 31,3%, 5 pontos. Senado com Manuela em primeiro (32,2%) e Van Hattem atrás (29,5%).

AtlasIntel (27/08 a 1º/09): Zucco 44,3% × Juliana 37,5%, menos de 7 pontos.

AtlasIntel (setembro): Zucco 41,6% × Juliana 36,1%. Em votos válidos, 45,2% × 39,1%, ou seja, segundo turno garantido.

Real Time Big Data (24 a 28/09): Zucco 40% × Juliana 35% × Gabriel Souza 19%. Projetava segundo turno de 49% a 44% e ainda um "empate técnico" entre Zucco e Gabriel (45% a 41%). Gabriel teve 8,43% na urna, menos da metade.

Studio Pesquisas (setembro): no Senado, Manuela 30,8% e Paulo Pimenta 25,8% nas duas vagas. Rigotto 23,2%. Os dois que de fato venceram apareciam em ÚLTIMO entre os principais: Van Hattem com 21,5% e Sanderson com 18,6%. Na urna, Pimenta ficou em quarto, com 16,31%.

A eleição terminou 58% a 32%.

O PADRÃOTodos os grandes institutos subestimaram Zucco e superestimaram Juliana Brizola, sempre na mesma direção. Erro aleatório se espalha para os dois lados. Este não se espalhou.

No Senado, o mesmo vício: Manuela d'Ávila foi vendida como favorita por Paraná Pesquisas e Quaest durante agosto e setembro. Terminou em terceiro, mais de 1,4 milhão de votos atrás da segunda vaga.

E a Quaest da véspera?

Em 3 de outubro, a um dia da eleição, a Quaest/RBS finalmente mostrou Zucco com 52% dos válidos. Chegou lá, mas na véspera. Durante julho, agosto e setembro, o mesmo instituto dizia ao eleitor que a disputa estava empatada ou que Juliana liderava.

Acertar no último dia é fácil. Difícil é acertar em abril, quando ainda ninguém quer ouvir o resultado.

O que fica

A Brasmarket não tinha o maior contratante nem o maior espaço na mídia. Tinha método e consistência: quatro rodadas, a mesma fotografia, e a fotografia era a real.

Para a próxima eleição, a pergunta que o eleitor e a imprensa gaúcha precisam fazer não é "qual pesquisa saiu hoje", e sim "qual instituto acertou da última vez".

Em 2026, no Rio Grande do Sul, a resposta tem nome.

Fontes: TSE (resultado oficial, 1º turno 04/10/2026); relatórios Brasmarket RS de abril, junho, agosto e setembro de 2026 (registros RS-01619, RS-07427, RS-06291 e RS-07417/2026); Genial/Quaest (CNN Brasil, Poder360, 30/07); Quaest/RBS (GZH, Poder360, Band); Paraná Pesquisas (SBT News, Brasil de Fato, 19/09); AtlasIntel (Poder360, Jornal do Comércio, 23/09); Real Time Big Data (Poder360).

As opiniões desta coluna são de responsabilidade do autor.

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