Voto estratégico volta a virar peça central na eleição do RS
Aliança PDT‑PT reúne brizolistas e petistas; Zucco lidera direita; Gabriel tenta herdar espaço de Leite.

O voto estratégico pode decidir a eleição para governador do Rio Grande do Sul em 2026.
A união PDT‑PT com Juliana Brizola (PDT) como cabeça de chapa e Edegar Pretto (PT) como vice altera a dinâmica de transferência de votos entre a esquerda.
Juliana Brizola (PDT) compõe aliança com PT, PSOL, PCdoB, PSB, PV, Rede e Avante, e também concorrem ao Senado Manuela d’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT).
Na direita, Luciano Zucco (PL) tem Silvana Covatti (PP) de vice; Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) disputam as vagas ao Senado por esse campo.
No centro, Gabriel Souza (MDB) tenta ocupar o espaço de Eduardo Leite, com Ernani Polo (PSD) como vice; Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) disputam o Senado por esse bloco.
Há ainda Marcelo Maranata (PSDB) com Cláudio Diaz (PSDB) de vice; Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania) concorrem ao Senado pela federação PSDB‑Cidadania.
Em 2022, Onyx Lorenzoni venceu o primeiro turno com 37,50% e Eduardo Leite teve 26,81%; Edegar Pretto ficou a 2.441 votos de Leite no primeiro turno.
Na mesma eleição, Vieira da Cunha (PDT) teve 101.611 votos, equivalentes a 1,60% dos válidos; a esquerda migrou votos para Eduardo Leite no segundo turno, levando‑o à vitória.
A estratégia também apareceu no Senado em 2022: Comandante Nádia (PP) retirou a candidatura e apoiou Hamilton Mourão (Republicanos) menos de 72 horas antes da votação, o que ajudou sua eleição.
Eleições anteriores mostram viradas: em agosto de 2002 Germano Rigotto tinha 4,5% e venceu depois; em 2006 Yeda Crusius saiu de 8% em maio para vencer o primeiro turno; em 2018 Eduardo Leite tinha 8% em agosto e ganhou o governo.
A pesquisa Quaest de 30 de julho colocou Juliana com 24%, Zucco com 22%, Gabriel com 6% e Maranata com 3%, e 62% dos entrevistados disseram que ainda podem mudar o voto.
Gabriel Souza dispõe de recursos formais: é vice‑governador, tem o empenho de Eduardo Leite, a máquina do governo, a capilaridade do MDB e o apoio de prefeitos; Ernani Polo amplia pontes com o Interior e setores conservadores.
Se houver segundo turno entre Gabriel e Zucco, Gabriel poderá receber votos da esquerda para barrar o bolsonarismo; se enfrentar Juliana, a dinâmica será diferente.
37,50% — porcentagem de votos de Onyx Lorenzoni no primeiro turno de 2022
26,81% — porcentagem de votos de Eduardo Leite no primeiro turno de 2022
2.441 — votos que separaram Edegar Pretto de Eduardo Leite no primeiro turno de 2022
101.611 — votos de Vieira da Cunha em 2022 (1,60% dos válidos)
30 de julho — data da pesquisa Quaest citada
24% / 22% / 6% / 3% — intenção de voto de Juliana, Zucco, Gabriel e Maranata na Quaest
62% — parcela que disse poder mudar o voto, segundo a Quaest de 30 de julho
O próximo passo é a campanha até 2026, com levantamento contínuo de intenções de voto e provável definição de alianças e composições para o segundo turno.