Crise no STF pode pressionar câmbio, juros e investimentos no Brasil
Analistas vinculam tensão institucional à piora de indicadores e à maior exigência de retorno por investidores

A crise institucional no STF pode reduzir investimentos, enfraquecer o real e limitar cortes na Selic.
O mercado já revisou a projeção do PIB 2026 de 1,93% para 1,89% no relatório Focus do Banco Central, e a inflação esperada nos próximos 12 meses subiu para 4,65%.
Economistas e gestores dizem que maior incerteza jurídica eleva a remuneração exigida por investidores, o que encarece financiamento e pode elevar a curva de juros futuros.
Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, afirma que a revisão do PIB para 1,89% poderia justificar cortes mais rápidos da Selic, mas a inflação prevista em 4,65% impede essa conclusão automática.
Gustavo Assis, CEO do Asset Bank, alerta que a instabilidade no STF pressiona câmbio, curva de juros e o prêmio de risco, levando investidores a exigir maior retorno.
Fábio Murad, da Wiser Asset, diz que a crise pode aumentar a volatilidade do real e, se a desvalorização persistir, o canal cambial pode alimentar inflação e limitar a redução da Selic.
Em agosto e setembro houve saída líquida de capital: do início do mês até dia 4, saldo negativo de US$ 6,69 bilhões; no mês passado, saída líquida de US$ 3,9 bilhões.
O saldo de investidores estrangeiros na B3 ficou negativo em R$ 18,1 bilhões no pior mês do ano; o dólar chegou a R$ 5,13 na sexta-feira 11.
Outros fatores citados que pressionam o dólar são o petróleo perto de US$ 108 e o rendimento dos títulos públicos dos EUA de 10 anos em torno de 5%.
Relatórios e debates mencionam aumento da incerteza jurídica e redução da independência do Judiciário como negativos para o ambiente de negócios.
Entidades empresariais publicaram manifestos pedindo solução: a Confederação Nacional do Comércio defende fortalecimento institucional; mais de 3 mil entidades assinaram o Manifesto à Nação Brasileira pedindo que o plenário do STF decida com urgência.
Grupos de economistas e empresários articulam novos manifestos para cobrar decoro e solução do impasse no Supremo.