Brasil importa 85% dos fertilizantes que usa, diz levantamento
Alta nos preços do enxofre e custo do gás natural prejudicam fábricas e levaram pedido de R$ 2 bilhões ao governo

O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na nutrição das plantas no país.
As importações somaram quase 14 milhões de toneladas de cloreto de potássio em 2025 e 11,6 milhões de toneladas de fosfatados, pressionando a balança comercial do setor.
Desde o final de fevereiro, o preço do enxofre subiu de US$ 80 por tonelada para um pico de US$ 1,2 mil, recuando depois para cerca de US$ 800, o que levou à suspensão de atividades em várias fábricas brasileiras e a pedido de auxílio de R$ 2 bilhões ao governo federal.
No segmento nitrogenado, o alto custo do gás natural encarece a produção de amônia e ureia, tornando o fertilizante nacional menos competitivo, afirma Gisele Augusto, especialista da consultoria Argus.
A reativação de algumas fábricas da Petrobras busca ampliar a oferta interna de nitrogenados, mas a competição com países que têm gás mais barato persiste.
O Brasil possui reservas de rocha fosfática com baixa concentração, segundo a consultoria StoneX, o que dificulta a produção de fertilizantes concentrados como o MAP; o país, porém, produz volumes significativos de superfosfato simples (SSP).
As grandes reservas de potássio estão no Canadá, em Belarus e na Rússia, e o Brasil tem projetos para explorar jazidas nacionais, mas enfrenta incertezas econômicas e ambientais sobre esses empreendimentos.
85% — participação das importações no total de fertilizantes usados no país
US$ 80 → US$ 1,2 mil → US$ 800 — trajetória do preço do enxofre desde o final de fevereiro
R$ 2 bilhões — valor do auxílio solicitado pelo setor ao governo federal
14 milhões t — importações de cloreto de potássio em 2025
11,6 milhões t — importações de fosfatados
A longo prazo, a autossuficiência depende de investimentos em infraestrutura, tecnologia, políticas públicas e gestão eficiente dos recursos naturais disponíveis.