Consultas por lesões pré‑cancerígenas em adolescentes caem desde a vacinação contra o HPV
Atendimentos no SUS entre 15–19 anos caíram de 603 em 2015 para 136 em 2023; pesquisadores estimam ~5 mil casos evitados

Vacinação contra o HPV está associada à queda de consultas por lesões pré‑cancerígenas em adolescentes de 15 a 19 anos.
A redução foi forte em números absolutos e em taxa: de 603 atendimentos em 2015 para 136 em 2023; a taxa por 100 mil caiu de 7,1 para 1,8 no mesmo período.
Pesquisadores da farmacêutica MSD analisaram primeiras consultas registradas no Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde com códigos diagnósticos específicos, acompanhadas de pelo menos um procedimento, comparando 2011–2019 e 2011–2023.
Em 2011 houve 474 atendimentos em 15–19 anos; o total de primeiras consultas de 2011 a 2019 foi 2.620, enquanto a projeção sem vacinação seria 7.688 — cerca de 5.000 casos a mais.
Os pesquisadores também observaram aumento das consultas por outras infecções sexualmente transmissíveis em 15–19 anos, de taxa 1,7 em 2015 para 10,8 em 2023, o que afasta explicações por queda geral no uso de serviços de saúde.
O câncer de colo do útero é o terceiro mais frequente entre mulheres no Brasil, com cerca de 19 mil novos casos e ~7 mil óbitos por ano, e o HPV é seu principal causador; a Organização Mundial da Saúde diz que a doença pode ser erradicada se houver alta cobertura vacinal, rastreamento adequado e tratamento das neoplasias.
474 — atendimentos em 2011 para 15–19 anos
603 — atendimentos em 2015 (início da vacinação em massa)
299 — atendimentos em 2019
136 — atendimentos em 2023
7,1 — taxa por 100 mil em 2015
1,8 — taxa por 100 mil em 2023
2.620 — primeiras consultas entre 2011–2019
7.688 — projeção sem vacina (diferença ~5.000)
“Esse resultado reforça que a redução dos casos de lesões de alto grau entre as adolescentes provavelmente não é consequência de mudanças seculares na saúde sexual ou na utilização dos serviços de saúde”, avaliaram os pesquisadores da MSD.
Os autores sugerem ampliar gradualmente a faixa etária coberta; o Ministério da Saúde já faz campanhas de resgate para jovens até 19 anos e oferece vacina a públicos vulneráveis, como pessoas com lesões pré‑cancerígenas, vítimas de violência sexual e usuários de profilaxia pré‑exposição para HIV.