“Criança não vota”, diz Edson Ferrari ao cobrar prioridade à primeira infância
Conselheiro do TCE-GO aponta falhas em creches, vacinação e integração entre saúde, educação e assistência em Goiás.

“Criança não vota”, disse Edson Ferrari, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE‑GO) e presidente do Comitê Técnico da Primeira Infância do Instituto Rui Barbosa (IRB), ao pedir pressão da sociedade por políticas para zero a seis anos.
O III Encontro Nacional da Primeira Infância (ENAPI) ocorre em Goiânia entre 26 e 28 de agosto e reúne tribunais de contas, gestores públicos, pesquisadores e sociedade civil para discutir auditorias e indicadores da primeira infância.
O TCE‑GO avaliou 12 indicadores nacionais de primeira infância: nenhum está no nível ideal; nove estão em “cuidado e alerta” e três em “alerta máximo” — mortalidade materna, percentual de cesáreas e acesso de crianças às creches.
Em Goiás, só 28,5% das crianças estão matriculadas em creches (média brasileira 38,28%); em Goiânia o percentual é 36,34%; 81,24% das crianças estão na pré‑escola.
Auditoria apresentada no ENAPI aponta necessidade de 3.380 novas salas de aula e investimento estimado em R$ 2,6 bilhões para zerar a fila de creche, que supera 43 mil crianças.
Ferrari criticou foco apenas em vagas: “Você oferece a vaga de creche, mas você tem que construir creche... você tem que dar qualidade”, e cobrou infraestrutura, número suficiente e qualificação de profissionais, citando superlotação (13–14 crianças por sala chegando a 18–19).
Na saúde, cobertura contra poliomielite em Goiás é 80,31% e em Goiânia 67,21%; cobertura de equipes de Saúde da Família é 64,07% no Estado e 43,69% na capital — indicadores que, segundo Ferrari, afetam frequência e aprendizagem.
Uma auditoria nacional com 155 municípios mostrou que 91% desenvolvem ações de saúde e educação para a primeira infância de forma desarticulada; Ferrari defende auditorias operacionais e de conformidade para medir qualidade e cobrar mudanças quando indicadores não evoluem.