Endividamento bate recorde: 82% das famílias tinham dívida em julho de 2026
Entre famílias que recebem até três salários mínimos, 84,9% estavam endividadas; cartão de crédito é a principal modalidade

82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em julho de 2026, aponta a Peic da CNC.
No grupo com renda de até três salários mínimos, 84,9% estavam endividadas; 38,5% tinham contas em atraso e 17,8% diziam não ter condições de pagá‑las.
A pesquisa registra também que 29,8% das famílias tinham dívidas atrasadas na média nacional.
Entre 2019 e 2022 a proporção de famílias endividadas subiu de 64,1% para 78%; entre 2023 e 2025 ficou próxima de 78%.
A elevação da Selic em 2025 encareceu o crédito e contribuiu para o aumento do endividamento em 2026.
O cartão de crédito é a principal modalidade de endividamento, usado por famílias de menor renda para alimentação, saúde e moradia.
As apostas on‑line retiraram R$ 143 bilhões do comércio varejista entre 2023 e 2026 e levaram cerca de 270 mil famílias à inadimplência.
O comprometimento médio da renda com dívidas foi de 29,5%; entre as famílias de menor renda o comprometimento chegou a 30,6%.
O primeiro Desenrola Brasil foi lançado em 2023; o Novo Desenrola foi lançado em 2026, com frentes para famílias, empresas, estudantes e trabalhadores adimplentes.
Em três meses de 2026 foram renegociados R$ 44,1 bilhões em dívidas de famílias e empresas; o Desenrola Famílias renegociou R$ 20,9 bilhões em cerca de 3,5 milhões de operações.
Após os acordos, o saldo devedor caiu para R$ 3,7 bilhões, com desconto médio de 82%.
O Dieese avaliou que a renegociação pode aliviar no curto prazo, mas que são necessárias medidas sobre renda, custo de vida, crédito e serviços públicos.