Pacientes renais do TO relatam que Estado negou transporte aéreo e só ofereceu ônibus
Um paciente perdeu avaliação pré‑operatória marcada para 12 de agosto em Goiânia; outro só conseguiu viagem aérea após acionar a Justiça.

Pacientes renais do Tocantins que aguardam transplante dizem que a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) negou transporte aéreo e autorizou apenas viagens rodoviárias.
A negativa fez Edimar Rodrigues da Silva, 59, perder a avaliação pré‑operatória marcada para 12 de agosto no Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), em Goiânia, e ele tenta reagendar para setembro enquanto teme perder a chance de transplante se exames vencerem.
Edimar, morador de Palmas, faz hemodiálise três vezes por semana, tem colapso na coluna lombar e apresentou dois laudos médicos emitidos em 5 de agosto: a nefrologista Carize Rezende relatou fratura vertebral e deformações nos discos que impedem viagens longas; o nefrologista do HGG Agenor Gonçalves de Lacerda reforçou que o paciente “não apresenta condições de realizar deslocamento por via terrestre em trajetos de longa duração”.
O setor de Tratamento Fora do Domicílio (TFD) da SES-TO autorizou apenas passagens de ônibus alegando que o paciente estava clinicamente estável e que a documentação não indicava necessidade de transporte aéreo, conforme nota da Secretaria que cita a Resolução CIB/TO nº 159/2021, que prefere transporte rodoviário e reserva aéreo para casos com justificativa do médico assistente.
Outra paciente com insuficiência cardíaca e renal e retenção severa de líquidos teve pedido inicial de transporte aéreo negado pelo setor de regulação por não estar inserida no Sisreg e por alegada falta de médico da área de terapia renal substitutiva; ela só obteve autorização após acionar a Justiça.
Edimar iniciou hemodiálise em 2018, já teve um transplante que foi perdido em 2024 e voltou para a lista de espera em Goiânia; ele afirma que a viagem rodoviária oferecida o obrigaria a perder sessões de diálise e agravaria a dor provocada pela coluna.
A advogada Érika Simara Souza, especialista em Direito Médico e da Saúde, avaliou que a negativa desconsiderou laudos de especialistas e pode gerar responsabilização jurídica por danos morais e por “perda de uma chance”.
O próximo passo é o reagendamento da avaliação pré‑operatória de Edimar para setembro; pacientes podem recorrer à Justiça para garantir transporte aéreo quando entendem haver risco clínico.