Pesquisa mostra ampla pior avaliação das UTIs públicas frente às privadas
2.338 médicos avaliaram 13 aspectos; AMIB diz que solução precisa ir além de ampliar leitos
Médicos apontam avaliações muito piores nas UTIs públicas do que nas privadas em 12 dos 13 itens avaliados.
As mudanças propostas pela AMIB podem impactar 43.901 leitos de UTI no país — 34.927 adultos e 8.974 pediatria/neonatologia.
2.338 médicos que atuam em assistência de alta complexidade responderam ao Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM). Os profissionais deram notas de 0 a 5 a itens como infraestrutura, disponibilidade de leitos e medicamentos, nível de especialização da equipe, fluxos de paciente e protocolos.
Apenas 22,7% avaliaram como totalmente adequada a disponibilidade de medicamentos essenciais na rede pública; no setor privado esse índice foi 57,7%. Em avaliações negativas, 16,1% consideraram a oferta de medicamentos nos serviços públicos inadequada ou totalmente inadequada; no privado, 3,8%.
Sobre suficiência de leitos, 24,1% deram nota máxima às UTIs públicas; 51,4% deram nota máxima às unidades privadas ou de planos de saúde. Para disponibilidade e acesso a protocolos, 23,1% deram nota máxima ao SUS e 40,2% ao setor privado.
Nas notas mais baixas (0–2), 32,6% avaliaram a disponibilidade de leitos no SUS como ruim; 27,4% deram notas mínimas aos protocolos de atendimento no público. No privado, essas mínimas foram 7,7% e 14,3%, respectivamente.
A percepção sobre equipe multiprofissional especializada teve 39,2% de nota máxima no setor privado e 23% no público; notas mínimas foram 24,8% no público e 13,8% no privado. Quanto a enfermeiros com formação específica em terapia intensiva, 25,1% deram nota máxima ao privado e 16,9% ao público; a nota negativa foi 37,2% no SUS e 26,4% no privado.
A única exceção à disparidade foi a percepção sobre tarefas administrativas e burocráticas, semelhante entre públicos e privados.
2.338 — médicos ouvidos
13 — aspectos avaliados
43.901 — leitos de UTI potencialmente impactados
34.927 — leitos adultos
8.974 — leitos pediatria e neonatologia
"Eventuais mudanças terão impacto em 43.901 leitos de UTI distribuídos pelo país", destacou a AMIB.
A AMIB afirmou que levará o diagnóstico a gestores públicos e privados e a autoridades de fiscalização e controle para defender as recomendações do inquérito.