UFMT e MEC abrem seleção para 60 vagas de licenciatura indígena em Capoto‑Jarina
Inscrições gratuitas vão até 20 de setembro; cursos serão presenciais com etapas nas aldeias e em Cuiabá

MEC, Secadi e UFMT publicaram em 4 de junho o edital para seleção dos cursos de licenciatura em educação intercultural indígena para a Terra Indígena Capoto‑Jarina, no Território Etnoeducacional Mẽbêngôkre, em Mato Grosso.
As inscrições são gratuitas e vão até 20 de setembro; a lista de inscrições deferidas e indeferidas sai em 22 de setembro, o resultado preliminar em 25 de setembro e a homologação final em 30 de setembro.
São 60 vagas no total, 20 para pedagogia, 20 para linguagem e humanidades, e 20 para ciências da natureza e matemática; o edital veda redistribuição de vagas remanescentes entre os cursos.
A seleção é destinada a jovens e adultos das comunidades Mẽbêngôkre/Kayapó, Tapayuna, Trumai e Yudjá da Terra Indígena Capoto‑Jarina, com prioridade para candidatos sem diploma superior e que atuem como professores nas escolas das aldeias.
A oferta foi apresentada em junho durante visita do MEC e da UFMT à Aldeia Piaraçu e atende a demanda histórica por educação superior no território; os procedimentos do processo seletivo foram pactuados em assembleia na Aldeia Piaraçu, em abril de 2026.
Mayalú Kokometi Waurá Txucarramãe, neta do cacique Raoni Metuktire e filha do cacique Megarom, enviou mensagem à equipe da UFMT dizendo: “parabéns, professora, por fazer parte dessa realização. Ele sempre pediu que o pessoal trouxesse uma faculdade para o território”.
Os cursos serão presenciais, organizados pela pedagogia da alternância entre Tempo Universidade e Tempo Comunidade, com carga horária de 3.344 horas distribuídas em mínimo de oito e máximo de 12 semestres.
As atividades presenciais ocorrerão no campus da UFMT, em Cuiabá, e em etapas descentralizadas nas aldeias centrais da Terra Indígena Capoto‑Jarina, com componentes concentrados preferencialmente em janeiro, julho e dezembro e calendário pactuado com as comunidades.
O estágio curricular supervisionado terá 400 horas e será realizado nas escolas indígenas de origem dos estudantes; as comunidades participarão do acompanhamento pedagógico por meio de campos de extensão e mecanismos de autoavaliação institucional.
O processo seletivo terá duas etapas: eliminatória por análise documental e comprovação de residência ou atuação na Terra Indígena, pertencimento étnico, vínculo com a educação local e conclusão do ensino médio; classificatória por rendimento escolar e carta de intenção que avalia envolvimento comunitário.
Documentos exigidos incluem identificação pessoal, certificado de conclusão do ensino médio ou equivalente, histórico escolar, comprovante ou declaração de residência ou atuação assinada por liderança da aldeia, e carta de intenção.
A iniciativa está vinculada ao Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind) e à Política Nacional de Educação Escolar Indígena nos Territórios Etnoeducacionais (PNEEI‑TEE), instituída pela Portaria MEC nº 539, de 24 de julho de 2025.