Ex-embaixador alerta Rubio: ações dos EUA prejudicam relações com o Brasil
Autor lembra histórico diplomático, acusa revogação de visto de 'criancice' e alerta avanço chinês em infraestrutura brasileira

Sou o ex-embaixador dos EUA no Brasil entre 1912 e 1933 e escrevo a Marco Rubio para alertar sobre crises nas relações bilaterais.
Revogar o visto da embaixadora foi “uma criancice”, e as hostilidades recentes levarão tempo para serem remendadas.
Fui diplomata da velha escola, formado em Harvard, morei em Cuba, não aprendi português, servia daiquiri aos convidados, vivi em Petrópolis e estou sepultado ali.
Cheguei na Presidência do marechal Hermes da Fonseca; em março de 1930 Júlio Prestes foi eleito e visitei o presidente Herbert Hoover; houve revolução e Getúlio Vargas foi para o Palácio do Catete.
Washington Luís e Júlio Prestes exilaram-se na Europa; eu permaneci no posto quase três anos e não tive dificuldades com Vargas.
Discordei dos métodos de Percival Farquhar, mas suas empresas prestaram serviços; hoje a China avança em comunicações, portos e transportes no Brasil.
A China pode comprar 20% da Rumo, que opera 14 mil km de malha, segundo relato citado; carros elétricos chineses já suplantam montadoras americanas protegidas há 70 anos.
O presidente Trump negou vistos a parceiros não casados de diplomatas homossexuais e travou carreiras; presidentes Taft, Wilson e Harding não teriam me designado para o Brasil com postura semelhante.
Em 1937 Franklin Roosevelt enviou Jefferson Caffery ao Rio; Caffery ficou até 1944 e aparou arestas com generais germanófilos.
Encontrei o subsecretário Sumner Welles, demitido por expor sua homossexualidade; a intriga contra ele veio de William Bullitt, cujo comportamento pessoal era citado como causa.