Exposição reabre debate sobre preservação do Cais do Valongo e garante R$10 milhões
“Valongo: Justiça pela Memória do Cais” estreia no IPN e mostra ação do MPF e da Justiça Federal pelo sítio arqueológico

Exposição “Valongo: Justiça pela Memória do Cais” abriu em 14 de agosto na Galeria de Arte Pretos Novos do Instituto Pretos Novos, no Rio de Janeiro.
A atuação do MPF em 2026 resultou na liberação de R$10 milhões do Fundo de Defesa de Direitos Difusos para garantir a continuidade das obras do Centro de Interpretação do Cais do Valongo.
A abertura contou com Ana Cristina Rosa, assessora-chefe de Comunicação do Conselho da Justiça Federal e idealizadora do projeto; o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama; e as curadoras institucionais Priscila Fevrier e Lara Cesar, além de apresentação do grupo Samba da Harmonia e distribuição gratuita do livro homônimo.
O livro, organizado por Ana Cristina Rosa e lançado pela Assessoria de Comunicação Social do CJF, reúne pesquisas históricas, documentais e arqueológicas sobre memória, justiça e reparação histórica.
A mostra revê a trajetória do Cais do Valongo desde o uso como ponto de desembarque de africanos escravizados, passando pela redescoberta do sítio arqueológico em 2011 durante obras na zona portuária, até o tombamento como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Entre 1811 e 1831, o Cais do Valongo foi porta de entrada para mais de 900 mil africanos escravizados; o sítio é considerado memória sensível por guardar lembranças de violações extremas de direitos humanos.
O projeto nasceu de decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro em ação movida pelo MPF que obrigou a União a cumprir compromissos assumidos junto à Unesco quando do tombamento do Cais do Valongo.
“Para nós, ele representa uma forma de reparação histórica, porque o conhecimento sobre o passado é condição para imaginarmos presentes e futuros nos quais a escravidão e o racismo sejam realmente páginas viradas da nossa história”, disse o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama durante a abertura.
Período da exposição: 14 de agosto a 24 de outubro de 2026. Local: Galeria de Arte Pretos Novos (GAPN), Instituto Pretos Novos (IPN), Rua Pedro Ernesto, 32/34, Gamboa, Rio de Janeiro (RJ). Visitação: terça a sexta, das 10h às 16h; sábado, das 10h às 13h. Entrada gratuita.