IFI: despesas do governo seguem crescendo; déficit estrutural é 1,4% do PIB
Relatório de agosto aponta alta de gastos e alerta que ganho de receita com petróleo pode ser temporário

As despesas do governo continuam crescendo “contínua e velozmente”, aponta o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de agosto da IFI, publicado nesta quinta (20).
A IFI estima déficit primário estrutural de 1,4% do PIB até o segundo trimestre de 2026, com risco de piora futura se receitas não se mantiverem.
O diretor da IFI, Alexandre Andrade, disse em entrevista coletiva na tarde de quinta (20) que o déficit primário estrutural piorou ao longo dos dois primeiros trimestres de 2026 devido à pressão maior das despesas, apesar do crescimento da receita.
O estudo concentra-se no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do terceiro bimestre de 2026 e embasa as projeções do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2027), que deve ser enviado à Comissão Mista de Orçamento até o próximo dia 31.
A IFI aponta fatores específicos que afetam o quadro: aceleração do pagamento de emendas parlamentares por causa da legislação eleitoral, queda das despesas com o Bolsa Família e aumento das receitas a partir de maio pela alta do preço do petróleo, em razão do conflito no Irã.
O governo central registrou déficit primário efetivo de R$ 81,2 bilhões nos sete primeiros meses de 2026; a receita líquida cresceu 6,0% real, e as despesas subiram 6,3% real.
Tanto a IFI quanto o governo projetam déficit primário efetivo em torno de 0,4% do PIB para 2026, e a execução do ano deve cumprir a meta formal após deduções legais e uso do intervalo de tolerância.
1,4% do PIB — déficit primário estrutural até o 2º trimestre de 2026
R$ 81,2 bilhões — déficit primário efetivo nos sete primeiros meses de 2026
6,0% — aumento da receita líquida, em termos reais
6,3% — aumento das despesas, em termos reais
R$ 62,8 bilhões a R$ 69,8 bilhões — deduções legais consideradas para cumprir a meta
0,25% do PIB (R$ 34,3 bilhões) — centro da meta primária de 2026
Andrade afirmou: “A questão maior que se coloca é para o ano que vem. Isso tende a se esgotar ao longo do tempo.”
Próximo passo: o PLOA 2027 será enviado à Comissão Mista de Orçamento até o dia 31, servindo de base para decisões orçamentárias do próximo ano.