Apreensões de vapes chegam a R$ 200 milhões em 2024; risco de R$ 1 bi em 2025
Valor crescente alimenta mercado ilegal — cinco anos somam mais de R$ 440 milhões e mercado pode mover R$ 7,81 bilhões por ano

A Receita Federal registrou apreensões de cigarros eletrônicos perto de R$ 200 milhões em 2024.
O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) estima que, se a aceleração atual seguir, as apreensões de vapes podem atingir R$ 1 bilhão ao fim de 2025.
A venda de vapes é proibida no Brasil desde 2009 por decisão da Anvisa; os registros dos últimos cinco anos somam mais de R$ 440 milhões, e o Idesf lançou o Mapa do Contrabando em maio.
O instituto identificou alta no contrabando de agrotóxicos e medicamentos, especialmente canetas emagrecedoras não autorizadas; o herbicida paraquat, proibido em mais de 30 países e pela Anvisa por riscos de câncer e Parkinson, segue permitido no país vizinho.
A apuração aponta migração do crime organizado para o contrabando por lucro e menor risco penal: margem de lucro de vapes chega a 259%, de cigarros convencionais a 507%, e custo logístico das rotas usadas por facções fica em torno de 22%.
A Escola de Segurança Multidimensional (Esem) da USP estima que o mercado ilegal de dispositivos de fumar movimenta R$ 7,81 bilhões por ano; pesquisa do Ipec mostra crescimento de usuários de vapes de 500 mil em 2018 para 2,9 milhões em 2023.
A indústria do tabaco usa o aumento do consumo ilegal para pedir flexibilização; o projeto de lei 5.008, da senadora Soraya Thronicke, propõe regulamentar fabricação e venda, mas a tramitação está parada desde o fim de 2023, e a Anvisa manteve as restrições após consulta pública em 2023.
"A solução não passa pela redução da autonomia da Anvisa, mas por uma integração legal entre os países do Mercosul", disse Luciano Stremel Barros, presidente do Idesf.