Bets atingem 43,8 milhões de apostadores até agosto de 2026
Número equivale a 27% dos adultos e cresce 75,2% em relação a dezembro de 2025

43,8 milhões de brasileiros apostaram em plataformas de aposta on-line de quota fixa até o fim de agosto de 2026.
Esse total corresponde a 27% da população adulta e representa crescimento de 75,2% ante 25 milhões em dezembro de 2025.
O Ministério da Fazenda extraiu os dados do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap); o debate público inclui efeitos na renda familiar, saúde pública e financiamento de clubes.
O Executivo prepara uma Medida Provisória para proibir cassinos virtuais on-line, com cláusula de transição de 180 dias para apreciação pelo Congresso Nacional.
Levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made/FEA-USP) estima que apostas on-line retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia em 2025, entre 0,9% e 1,1% do PIB.
A transferência líquida das famílias para plataformas alcançou R$ 62,5 bilhões; o governo arrecadou R$ 6,8 bilhões com o setor entre janeiro e setembro de 2025.
Estimativas apontam gastos anuais entre R$ 60 bilhões e R$ 240 bilhões com apostas; pesquisadores afirmam que parte das apostas pode ter sido financiada por crédito, respondendo por cerca de 14% do crescimento do endividamento das pessoas físicas.
Custo social de danos à saúde ligados às apostas é estimado em pelo menos R$ 30,6 bilhões por ano, com R$ 17 bilhões relacionados a suicídios e R$ 13,4 bilhões a depressão.
A ludopatia atinge cerca de 2 milhões de brasileiros em nível grave; quase 11 milhões apresentam risco elevado ou sintomas de dependência.
23,7% dos estudantes do Centro-Oeste já tiveram contato com apostas on-line; a média nacional é 20,4%, o Nordeste registra 25,4%.
Entre estudantes, o contato chega a 16,2% no fim do Ensino Fundamental e 27,3% no Ensino Médio; entre meninos do Ensino Médio, o índice chega a 41%.
No futebol, 13 dos 20 clubes da Série A têm casas de apostas como patrocinadores máster; clubes das Séries A e B publicaram o manifesto “O Fim do Futebol Brasileiro”.
O economista Pedro Henrique Evangelista Duarte afirma que a proibição das casas legalizadas pode fazer o dinheiro voltar ao comércio e ao serviço.
O especialista Tiago Zancopé defende proibição da publicidade em TV e redes, bloqueio do uso de recursos de programas sociais em apostas e ações de esclarecimento público.
"É uma doença", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao comparar o vício em apostas ao impacto do crack.
Próximo passo: o Executivo deve editar a Medida Provisória que proíbe cassinos virtuais on-line e aguarda a apreciação do Congresso dentro do prazo de transição de 180 dias.