Emendas ao Estatuto do Aprendiz podem cortar mais de 7 milhões de vagas
PL 6.461/2019, já aprovado na Câmara, está na CAS do Senado e pode excluir funções da base de cálculo da cota de aprendizagem.

Emendas ao PL 6.461/2019 podem reduzir em mais de 7 milhões o número de vagas de aprendizagem ao longo de uma década.
A estimativa de “mais de 7 milhões” foi feita pelo auditor-fiscal do trabalho Ramon de Faria Santos durante audiência no Senado.
O PL 6.461/2019 cria o Estatuto do Aprendiz e reúne regras hoje dispersas; o texto já passou pela Câmara e está na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.
As emendas propõem excluir da base de cálculo da cota atividades ligadas à segurança privada, condução de veículos, operação de máquinas e funções classificadas como de risco, insalubres ou perigosas.
Outras propostas visam retirar do cálculo atividades externas, permanentes ou sazonais, funções que exigem formação profissional específica e postos que dependam de CNH.
Uma emenda específica para empresas do setor de saúde limitaria a cota aos empregados em funções administrativas, excluindo atividades assistenciais, clínicas, laboratoriais e terapêuticas.
Representantes empresariais defendem adequações para atividades com riscos e restrições à contratação de menores de 18 anos.
O texto em análise prevê regras novas para cumprimento da cota, contratação de jovens maiores de 18 anos para certas atividades práticas e contratação direta de jovens de 18 a 24 anos com formação técnico-profissional por entidade formadora.
O Instituto Promover (IPHAC), dirigido por Valdinei Valério, alerta que a perda de vagas retira de jovens a primeira experiência profissional e compromete inclusão social: "Quando uma vaga de aprendizagem deixa de existir, não estamos perdendo apenas um contrato", disse Valdinei Valério.
O Brasil tem cerca de 700 mil contratos de aprendizagem em vigor atualmente.
Enquanto o projeto não for aprovado, as regras atuais permanecem em vigor; o PL 6.461/2019 ainda pode sofrer alterações na tramitação na CAS.