Pisa mostra avanço, mas expõe fragilidade da educação brasileira, diz pesquisador
Glauco Gonçalves, do CEPAE-UFG, pede políticas de longo prazo e infraestrutura para consolidar ganhos em Goiás.

Pisa mostra avanço no Brasil na última década, mas revela fragilidade na consistência da educação, diz Glauco Gonçalves.
Gonçalves, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica do CEPAE‑UFG, defende políticas públicas de longo prazo para transformar ganhos pontuais em evolução contínua.
O Pisa foi aplicado a estudantes de 15 anos em 91 países e permite comparar sistemas educacionais; os resultados nacionais ocultam realidades estaduais distintas.
Entre as três áreas avaliadas, leitura é o desempenho relativo mais forte do Brasil, enquanto matemática permanece como a principal dificuldade.
Gonçalves aponta que alguns estados avançaram e outros retrocederam, o que impede uma trajetória nacional contínua de melhoria.
Em Goiás, houve melhorias significativas, mas o pesquisador classifica esse avanço como pontual e insuficiente para garantir continuidade.
A estrutura das escolas influencia desempenho: parte da rede pública de ensino médio de Goiânia tem falta de bibliotecas e laboratórios, segundo Gonçalves.
Os Institutos Federais se destacam por reunir infraestrutura, professores mais qualificados e carreiras estruturadas, e apresentam resultados superiores em avaliações.
A leitura é vista como oportunidade: jovens mantêm interesse quando encontram livros e histórias; bibliotecas escolares e ação docente podem ampliar esse contato.
15 anos — idade dos alunos avaliados pelo Pisa
91 países — alcance da avaliação internacional
"A solução para a educação precisa se estruturar como o alicerce de uma casa. Se você não constrói isso, essa casa, com qualquer ventinho, desaba", disse Glauco Gonçalves.
Próximo passo: ampliar bibliotecas e laboratórios, qualificar professores e implantar políticas de longo prazo para consolidar melhorias em Goiás.