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Suspensão da UE pode tirar US$ 16,8 mi por mês de Goiás

Medida, em vigor desde quinta (3), atinge carnes, mel e ovos; Fieg estima perdas e recomenda buscar novos mercados.

Redação POLITICA.GO5 de set. de 2026 · 15h332 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Suspensão da UE pode tirar US$ 16,8 mi por mês de Goiás
Reprodução: ohoje.com

Suspensão da União Europeia às importações de produtos de origem animal do Brasil pode causar prejuízo de US$ 16,8 milhões por mês a Goiás.

A estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) parte do total de exportações goianas de produtos de origem animal para a UE, que somou US$ 190 milhões em 2025 e US$ 96 milhões entre janeiro e julho deste ano; carnes bovinas foram a maior parcela.

A medida, em vigor desde quinta-feira (3), alcança carnes bovina, de aves e suína, além de pescados, mel, ovos, equinos e envoltórios, e permanecerá até o Brasil comprovar controle e rastreabilidade exigidos pela UE.

A restrição não decorre de contaminação: a suspensão está ligada à comprovação documental do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo produtivo; a UE entende que os mecanismos brasileiros ainda não garantem conformidade.

"Cabe destacar que a suspensão se trata de uma questão de capacidade de comprovação documental, e não de questões sanitárias sobre a carne brasileira", disse o analista econômico da Fieg, Saulo Nogueira.

O impacto é ampliado porque a UE paga cerca de 20% a mais pelos produtos brasileiros de origem animal em relação a outros destinos, e mercados alternativos exigem cortes e especificações diferentes, dificultando substituições imediatas.

A Fieg recomenda que empresas busquem mercados como China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Coreia do Sul e planejem a diversificação das exportações enquanto durar a suspensão.

O governo brasileiro encaminhou documentação e concordou com auditoria europeia nas cadeias de aves e mel, iniciada em 24 de agosto e prevista para terminar nesta sexta-feira (4), e os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores afirmam adotar medidas para atender requisitos.

O Ministério da Agricultura publicou novas regras que proíbem antimicrobianos como promotores de desempenho e exigem rastreio durante todo o ciclo de vida do animal; como um bovino leva entre 24 e 36 meses ao abate, a adequação total pode levar mais tempo.

A Fieg afirma que Goiás dispõe de elementos favoráveis, como rastreabilidade individual pelo Sisbov, reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação e estrutura sanitária estadual, mas aconselha gestão de estoques e busca por novos destinos enquanto não houver definição sobre a retomada das vendas à UE.

O governo diz esperar solução via diálogo técnico e informou que poderá recorrer a instrumentos comerciais caso não haja acordo; até a revisão do bloqueio, frigoríficos e exportadores terão de administrar estoques e redirecionar parte da produção.

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