CBIC: juros em dois dígitos dificultam casa própria, diz presidente
Eduardo Aroeira afirma que construção prevê crescer 1,2% no PIB; SBPE e Faixa 4 são caminhos para ampliar financiamento.

O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, disse nesta sexta (18), no Recife, que juros em dois dígitos tornam a prestação da casa própria inacessível para a classe média.
A previsão de crescimento do PIB da construção segue em 1,2%, mas Aroeira afirma que o setor poderia crescer mais se os juros caíssem.
O Minha Casa, Minha Vida vai bem em Pernambuco, acima da média nacional, e o segmento de alto padrão também segue aquecido, segundo Aroeira.
Aroeira afirmou que o comprador de classe média depende de financiamento imobiliário e que "com a taxa de juros em dois dígitos, fica muito difícil para a prestação... caber no bolso desse trabalhador".
A CBIC articulou com o governo o novo modelo de financiamento baseado na caderneta de poupança (SBPE) e acompanha uma fase de teste que tem mostrado aumento de compras pela classe média, observado no evento do Sinduscon-PE.
A entidade defende que, com redução da taxa de juros, capital fora da caderneta de poupança se tornaria atraente, ampliando o volume disponível para financiar a classe média.
A CBIC ajudou a criar a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o governo estuda elevar o teto dessa faixa e usar mais recursos do Fundo do Pré-Sal para ampliar o financiamento a famílias com renda maior.
Quase 90% do investimento em infraestrutura no país é privado; Aroeira alertou que juros altos excluem pequenas e médias empresas dessas obras, enquanto grandes empresas com capital conseguem investir mais.
Aroeira disse que a redução da taxa de juros ajudaria a democratizar a participação nas obras de infraestrutura, permitindo que empresas de todos os portes concorram.