Ministério lança AdaptaSUS e prepara o SUS para impactos do El Niño
Plano prevê 93 ações, R$ 9,8 bilhões e planejamento até 2035 para fortalecer a rede de saúde diante de risco climático

Ministério da Saúde intensificou ações para preparar o SUS aos impactos do El Niño, com medidas regionais e logística de resposta.
A estratégia faz parte do AdaptaSUS, lançado na COP30, com 93 ações, 27 metas, horizonte até 2035 e investimentos estimados em R$ 9,8 bilhões.
Na coletiva nesta quarta (16), o ministro Alexandre Padilha afirmou que a crise climática “é uma crise de saúde pública”.
O Ministério informou que um em cada 12 hospitais no mundo corre risco de paralisação por eventos extremos e que fatores ambientais estão relacionados a uma em cada quatro mortes globalmente.
Estudo da Fiocruz sobre 2000–2019 estima 120 mil óbitos no Brasil atribuídos ao calor extremo.
O ministério destacou aumento de exposição de idosos a ondas de calor: na América Latina, a exposição de maiores de 65 anos cresceu mais de 1.000% entre 1981–2000 e 2015–2024.
O plano considera previsões climáticas, histórico de eventos extremos, vulnerabilidades socioambientais e capacidade de resposta dos serviços de saúde.
O Ministério prevê uma janela crítica entre outubro deste ano e março de 2027, com impactos distintos por região.
No Sul, a preocupação são chuvas intensas, temporais e inundações; riscos citados: afogamentos, leptospirose, doenças pela água e interrupção de tratamentos.
Medidas no Sul: base da Força Nacional do SUS em Porto Alegre, Centros de Informação em Saúde e Clima em Porto Alegre e Curitiba e planos de contingência para chuvas.
No Nordeste, o foco é estiagem severa e calor extremo, com riscos de insegurança hídrica e alimentar, agravo de doenças cardiovasculares e maior circulação da dengue.
Medidas no Nordeste: bases da Força Nacional do SUS em Salvador, Recife e Fortaleza, mapas de calor extremo, zonas de resfriamento e envio antecipado de medicamentos.
No Sudeste, a preocupação são ondas de calor e temporais; efeitos esperados: estresse térmico, sobrecarga cardíaca e maior pressão nas UTIs.
Medidas no Sudeste: base da Força Nacional do SUS no Rio de Janeiro, Centro de Informação em Saúde e Clima em Belo Horizonte, pontos de hidratação e zonas de resfriamento.
No Centro-Oeste, previsão de ausência de chuvas, estiagem e risco de incêndios; riscos: problemas respiratórios por fumaça e acidentes no manejo do fogo.
Medidas no Centro-Oeste: bases da Força Nacional do SUS em Campo Grande e Brasília e Centro de Informação em Saúde e Clima em Cuiabá.
No Norte, cenário de seca severa, estiagem prolongada e maior risco de queimadas, elevando insegurança hídrica, desnutrição e doenças pela água.
Participaram da coletiva: Alexandre Padilha (ministro da Saúde); Agnes Soares (diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Ambiente e Saúde do Trabalhador); Rodrigo Stabeli (Força Nacional do SUS); Nilton Pereira (diretor de Programa da Secretaria Executiva); Marielle Barbosa (assessora técnica de saúde e ambiente, vice-presidência de ambiente, atenção e promoção da saúde da Fiocruz); e o pesquisador Paulo Gadelha (Fiocruz).
O próximo passo é implementar bases, Centros de Informação em Saúde e Clima e planos regionais previstos no AdaptaSUS, com execução até 2035.