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Sobrevivente narra Carandiru; 111 mortos em 2 de outubro de 1992

Superlotação, ação de 300+ policiais e tiros na cabeça e no tórax marcaram o massacre que ajudou a criar o PCC.

Redação POLITICA.PE16 de set. de 2026 · 16h340 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Sobrevivente narra Carandiru; 111 mortos em 2 de outubro de 1992
Reprodução: marcozero.org

Maurício Monteiro sobreviveu ao Massacre do Carandiru em 2 de outubro de 1992.

O ataque deixou 111 mortos e, meses depois, contribuiu para o surgimento da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

O pavilhão 9 abrigava mais de 6.000 presos em espaço projetado para 3.350; o comandante Ubiratan Guimarães entrou com mais de 300 agentes da ROTA, do COE e do GATE.

Cerca de 70% dos disparos atingiram cabeça e tórax das vítimas; nenhum policial se feriu; mais de 80% dos 111 mortos aguardavam julgamento.

Em 5 de fevereiro de 1989, a “Cela-Forte” matou 18 presos por asfixia depois que 50 detentos foram amontoados; Luiz Antônio Fleury Filho era secretário de segurança e seria governador no período do Carandiru.

No fim dos anos 80, Franco Montoro (PMDB) tentou políticas de humanização prisional; quando Orestes Quércia assumiu em 1987, nomeou Fleury e mudou a política para construção de unidades e resposta letal.

O massacre aconteceu na véspera do primeiro turno das eleições municipais; o governo só divulgou proporções do episódio minutos antes do fechamento das urnas, enquanto familiares esperavam respostas fora do presídio.

2 de outubro de 1992 — data do Massacre do Carandiru

111 — mortos naquele dia

Mais de 300 — agentes da ROTA, COE e GATE que entraram no pavilhão 9

6.000 presos em instituição para 3.350 — superlotação

~70% — disparos que atingiram cabeça e tórax

>80% dos mortos — eram réus primários ou presos provisórios

5 de fevereiro de 1989 — data do Massacre da Cela-Forte; 50 presos amontoados; 18 mortos

O sociólogo Fernando Salla, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, documentou a transição das políticas penitenciárias em trabalho intitulado “De Montoro a Lembo: as políticas penitenciárias em São Paulo”.