1 em cada 4 jovens vive união conjugal; 34.202 crianças entre 10–14 em união
Campanha "Casamento é coisa de adulto" e CCJ da Câmara pressionam por regras mais duras e políticas públicas

Uma em cada quatro crianças ou adolescentes brasileiras entrou em alguma união conjugal antes dos 18 anos, alerta o UNFPA.
A CCJ da Câmara aprovou em 15 de julho proposta que torna nulo o casamento de menores de 16 anos — mudança que elimina a classificação atual de “anuláveis”.
O UNFPA registrou 34.202 crianças de 10 a 14 anos em união conjugal no Censo Demográfico de 2022; 77% eram meninas, 69% eram pretas ou pardas e 86,6% das relações eram informais.
Nas últimas décadas, mais de 22 milhões de mulheres hoje com 20 a 24 anos tiveram união antes dos 18 anos; o número não inclui adolescentes de 15 a 17 anos.
O UNFPA define casamento infantil como qualquer união, formal ou informal, em que pelo menos uma pessoa tem menos de 18 anos; muitas uniões no Brasil ocorrem extraoficialmente quando meninas passam a morar com companheiros.
Florbela Fernandes, representante do UNFPA no Brasil, diz: "Quando falamos em casamento infantil, muitas pessoas imaginam uma cerimônia formal ou uma situação explicitamente forçada".
Especialistas destacam consequências: entrada precoce em união pode reduzir permanência escolar, gerar dependência econômica, gravidez precoce e maior exposição à violência.
A campanha "Casamento é coisa de adulto" reúne página com dados e mapa por estado e defende que o Brasil adote 18 anos como idade mínima para qualquer união, além de políticas de permanência escolar e proteção social.