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Brics aprova em Nova Déli declaração sobre minerais, IA e mudança na governança

Documento de 140 pontos, aprovado neste sábado (12) na 18ª cúpula em Nova Déli, reforça soberania de recursos e acesso à IA para o Sul Global

Redação POLITICA.RS12 de set. de 2026 · 23h012 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Brics aprova em Nova Déli declaração sobre minerais, IA e mudança na governança
Reprodução: www.brasildefato.com.br

Declaração de Nova Déli do Brics trata de soberania sobre minerais críticos, maior acesso à inteligência artificial e reforma da governança política e econômica mundial.

O documento tem 140 pontos e foi aprovado neste sábado (12), primeiro dia da 18ª Cúpula do Brics, em Nova Déli, Índia.

O bloco, que reúne 11 integrantes — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã, Arábia Saudita e Indonésia — defende participação maior das economias emergentes nas decisões globais e diz buscar cadeias de fornecimento mais resilientes e diversificadas.

A pesquisadora Marta Fernandez, do Brics Policy Center e professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC, destaca que o termo “resiliência” aparece mais de 50 vezes na declaração e expressa preocupação em reduzir dependências frente a conflitos, sanções, tarifas, crises climáticas e interrupções nas cadeias.

Sobre minerais críticos, o texto exige agregação de valor e diversificação econômica nos países ricos em recursos e preservação da soberania dos Estados sobre jazidas; defende que países produtores participem de etapas de maior valor nas cadeias produtivas.

A declaração vincula minerais críticos à segurança energética e a tecnologias de baixa emissão de carbono, mas reconhece que petróleo, gás e carvão continuarão presentes nas matrizes energéticas e pede uma transição energética “justa, ordenada, equitativa e inclusiva”.

Em relação à IA, o Brics defende cooperação internacional para ampliar o acesso dos países do Sul Global, cita segurança, confiabilidade, inclusão e eficiência energética dos sistemas e aplica a tecnologia a setores como saúde, energia, indústria, finanças e educação.

O documento também reclama do aumento de tarifas e medidas não tarifárias incompatíveis com regras da OMC, defende a retomada plena do mecanismo de solução de controvérsias da OMC e condena medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional.

“Resiliência parece significar aumentar a capacidade dos países do Brics de enfrentar conflitos, sanções, tarifas, crises climáticas e interrupções nas cadeias de abastecimento e reduzir dependências, diversificando parceiros e fornecedores”, disse Marta Fernandez.

A 18ª Cúpula do Brics continua neste domingo (13); ao fim da presidência indiana, a China assumirá a condução do bloco e sediará a 19ª cúpula em 2027.