Brics avança com Brics Pay para pagamentos sem dólar
Projeto reúne Pix, UPI, yuan digital e propostas como a Brics Bridge; tema será discutido na cúpula de setembro em Nova Déli

Brics Pay é a proposta do bloco para liquidar pagamentos diretos em moedas locais, evitando o dólar e o sistema SWIFT.
A pauta será debatida na cúpula do Brics em setembro, em Nova Déli, durante a presidência temporária da Índia.
O Brics, que reúne países responsáveis por cerca de 40% do PIB global, apresentou o Brics Pay no ano passado e busca integrar sistemas de pagamentos instantâneos para facilitar transações comerciais.
O presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra, disse que o tema avançou e será discutido em Nova Déli; Malhotra falou sobre o assunto em um evento bancário em Mumbai.
Pesquisador Diego Pautasso, diretor de pesquisa do Centro de Estudos Avançados Brasil-China, afirma que tecnicamente a integração é viável: países já têm sistemas digitais, tecnologias como blockchain, cartões e QR Codes.
Países do bloco já ampliaram uso de moedas locais no comércio bilateral: o Brasil usa Pix e realiza transações com China em real ou yuan; a China usa o yuan digital (e-CNY) integrado a Alipay e WeChat Pay; a Índia opera o UPI e testa a rupia digital (e-Rupee).
A Rússia propôs, na presidência de 2024, a Brics Bridge como alternativa ao SWIFT; os efeitos das sanções a Moscou (bloqueio de reservas e exclusão do sistema) motivam o interesse russo.
A discussão combina aspectos econômicos, tecnológicos e políticos — o objetivo é reduzir custos de transação e limitar a dependência do dólar como instrumento de coerção.
40% — participação aproximada do Brics no PIB global
mais de um terço — participação conjunta do bloco no PIB global em PPP
US$ 300 bilhões — reservas russas bloqueadas por EUA e Europa desde 2022
3% a 5% — taxas que o bloco pretende eliminar em transações que hoje passam pelo dólar
"A proposta é criar uma ponte digital para liquidações diretas em moedas locais, sem intermediários como o dólar e o SWIFT", disse Diego Pautasso.
Próximo passo: o tema será discutido na cúpula do Brics em setembro, em Nova Déli, com a Índia na presidência temporária do grupo.