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Cidades que envelhecem: calçadas e travessias impedem autonomia de pessoas idosas

Censo 2022 mostra déficit de infraestrutura: só 18,8% residem em vias com calçadas livres de obstáculos.

Redação POLITICA.RS22 de set. de 2026 · 20h339 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Cidades que envelhecem: calçadas e travessias impedem autonomia de pessoas idosas
Reprodução: www.brasildefato.com.br

Quando cidades permitem caminhar com autonomia na velhice, tornam-se mais justas, democráticas e seguras para todas as idades.

O Censo 2022 registrou 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais (15,8% da população) e aponta que, em 2070, esse grupo pode chegar a 37,8% da população.

Apenas 18,8% dos moradores residem em vias com calçadas livres de obstáculos; 68,8% vivem em ruas sem rampas; 16% ainda não têm calçadas.

Obstáculos como calçadas descontínuas, postes, inclinações para carros, árvores e mobiliário interrompem percursos e dificultam deslocamentos de idosos, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Tempos insuficientes nos sinais, travessias inseguras e veículos em velocidades incompatíveis aumentam risco de colisões e quedas entre pedestres, elevando a gravidade das vítimas fatais.

O Brasil avançou em direitos: a Constituição de 1988 garante gratuidade no transporte urbano para maiores de 65 anos; o Estatuto da Pessoa Idosa detalha essas proteções; a Política Nacional de Mobilidade Urbana prevê acessibilidade; a ABNT NBR 9050 estabelece parâmetros técnicos.

Apesar dos instrumentos legais e do aumento de moradores em vias com calçada no Censo, o desafio é fazer essas normas chegarem ao território e se transformarem em infraestrutura contínua.

É preciso maior diálogo entre União e municípios e articulação entre mobilidade, desenvolvimento urbano, saúde, assistência, envelhecimento e políticas para pessoas com deficiência para efetivar a acessibilidade.

Se uma pessoa de 80 anos consegue atravessar uma rua sem correr, ou uma pessoa em cadeira de rodas percorre uma calçada sem interrupções, a cidade atende melhor crianças, gestantes e pessoas com mobilidade temporária.