Diretor do Hospital São Paulo depõe à CPI e detalha contratações e pagamentos
Diego Perineto disse que Ademir Perineto tinha decisão final sobre contratações; CPI vai confrontar documentos e ouvir mais testemunhas

Diego Perineto, diretor administrativo do Hospital São Paulo, prestou depoimento à CPI na noite desta quarta-feira.
Ele afirmou que atua na administração e na contratação de funcionários, mas que Ademir Perineto tem posição superior e dá a decisão final sobre contratações e pagamentos.
Diego disse que a contratação de Fabio Mezzomo foi conduzida por Ademir; ele apenas assinou o contrato a pedido da fundação e chegou a questionar o valor pago ao assessor.
Segundo o depoente, Fabio foi contratado para ajudar demandas operacionais e reduzir custos, tinha contrato de 30 horas semanais, porém não tinha horário fixo nem rotina definida.
Diego afirmou que Fabio era dispensado de entregar relatórios mensais exigidos em cláusula contratual, e não soube dizer quem autorizava pagamentos sem esses documentos.
O diretor relatou que Fabio indicou o plantão da Kabat, participou da seleção de currículos e pediu demissão de funcionários — pedidos que Diego não acatou.
Em oftalmologia, Diego relatou que Fabio participou das tratativas e da elaboração de contratos, mas Ademir deu o parecer final; profissionais que atendem particular pagam R$ 50 ao hospital.
Diego disse desconhecer comentários de que os oftalmologistas indicariam uma ótica ligada a Fabio Mezzomo e Gustavo Zanin.
Um dentista que atende no hospital recebe R$ 7.000 e, segundo Diego, teria sido indicado por Fabio.
A contratação do laboratório Exadi teria sido indicada por Fabio; Diego afirmou que foi escolhida proposta de maior custo por qualidade.
Diego afirmou que uma máquina de café na recepção pertence a Fabio Mezzomo; o hospital não recebeu pagamento pelo espaço nem pela energia.
Ele disse que Fabio seria proprietário da empresa Garupa, que paga R$ 400 mensais de aluguel por usar uma sala do hospital.
Sobre a obra da hemodiálise, Diego afirmou que Ademir contratou a mão de obra com auxílio de Fabio; a empresa contratada adquiriu materiais e a fundação presta contas ao Estado.
As declarações fazem parte da fase inicial da CPI; os fatos serão confrontados com documentos, contratos e novos depoimentos antes das conclusões.