Em 2025, 86% dos tribunais pagavam mulheres menos que homens no mesmo cargo
Pesquisa 'Gênero, Poder e Remuneração nos Tribunais de Justiça Brasileiros' aponta diferenças salariais e baixa representatividade feminina.

Em 2025, 86% dos tribunais brasileiros pagavam magistradas menos que magistrados que ocupavam o mesmo cargo.
A mediana anual de renda de juízas de 1º grau em Minas Gerais é R$ 18.128,18 menor que a de homens; entre desembargadoras, Rondônia registra diferença de R$ 56.863,92 por ano a favor dos homens.
A pesquisa “Gênero, Poder e Remuneração nos Tribunais de Justiça Brasileiros”, produzida pelo Justa, também mostra que em 24 dos 25 Tribunais de Justiça estudados a proporção de mulheres entre as juízas é inferior à da população geral; o Superior Tribunal de Justiça tem 18% de mulheres.
O levantamento registra que, em 135 anos, apenas três mulheres chegaram ao Supremo Tribunal Federal, todas brancas, e que a vaga aberta no STF desde outubro de 2025 segue sem indicação de uma mulher negra.
A diretora executiva do Justa, Luciana Zaffalon, relaciona distribuição de poder e distribuição de recursos e diz que o problema afeta a qualidade da democracia: 5 milhões de processos chegam à Justiça brasileira a cada ano.
A Resolução do Conselho Nacional de Justiça nº 525/2023 prevê listas de promoções por merecimento exclusivas para mulheres; no período de dois anos dessa medida, o número de desembargadoras mulheres cresceu 14%.
86% — tribunais em que magistradas recebiam menos que magistrados no mesmo cargo em 2025
R$ 18.128,18 — diferença anual mediana para juízas de 1º grau em Minas Gerais
R$ 56.863,92 — diferença anual mediana para desembargadoras em Rondônia
24/25 — tribunais com proporção de juízas inferior à população
18% — participação de mulheres no STJ
3 — mulheres no STF em 135 anos; vaga aberta desde outubro de 2025
14% — crescimento de desembargadoras em dois anos após ações afirmativas
"A distribuição de poder também se reflete na distribuição de recursos", afirmou Luciana Zaffalon ao explicar a sobreposição entre poder e remuneração.
O próximo passo citado no estudo é ampliar ações afirmativas como a Resolução CNJ nº 525/2023 para promover promoções por merecimento exclusivas para mulheres e reduzir a desigualdade nos tribunais.