Especialistas dizem que desassoreamento do Guaíba não evita cheias
Pesquisadores alertam para riscos ambientais, impacto mínimo no nível da água e defendem mudanças no zoneamento urbano

Desassorear o Guaíba não reduziria enchentes de forma relevante e pode causar danos ambientais, afirmam especialistas.
A discussão pós-enchente de 2024 sobre dragagem tem consequência prática: intervenções nos rios sozinhas não resolvem riscos de cheias, defendem pesquisadores.
O professor Fernando Recena, da Faculdade de Engenharia da PUCRS, lembra que “o Guaíba é naturalmente uma zona de deposição” e explica por que sedimentos retornam ao sistema.
Fernando Meirelles, pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, diz que dragagem rompe o balanço entre vazão líquida e vazão sólida e pode provocar erosão em outros pontos.
A dragagem já é usada para manter o canal de navegação aberto; a areia retirada é depositada ao lado do canal, dentro do próprio rio, para não alterar o equilíbrio de sedimentos.
Meirelles afirma que o efeito da retirada de areia na altura da água em cheias seria de centímetros, e lembra: “Nós tivemos uma cheia de metros”.
Os pesquisadores defendem ampliar a prevenção além dos rios, citando o zoneamento ecológico-econômico (ZEE) e exemplos de relocação urbana.
O prefeito de Roca Sales, no Vale do Taquari, anunciou transferir o centro e o parque industrial após três grandes enchentes; Porto Alegre tem áreas — Centro, Quarto Distrito e Zona Sul próxima da praia — dentro da área de inundação.
2024 — ano da enchente que reacendeu o debate sobre desassoreamento
3 — grandes enchentes em Roca Sales que motivaram realocação do centro e do parque industrial
80 mm — chuva prevista para Porto Alegre nesta segunda
70 km/h — rajadas de vento previstas na capital
18h de ontem às 18h de amanhã — validade do alerta meteorológico da Defesa Civil de Porto Alegre
18°C a 22°C — temperatura prevista para Porto Alegre
Além do tema do Guaíba, a edição traz outros fatos do dia: a agricultura familiar do Rio Grande do Sul se adapta a extremos de clima; as chuvas do fim de semana afetaram mais de 9,5 mil pessoas no RS; homens são responsáveis por 73% das multas de trânsito em Porto Alegre; e o radar político traz os planos de Gabriel Souza para a cultura.
A campanha Emendômetro Matinal pede apoio: meta de 300 novas assinaturas até domingo, 4/10, para acompanhar gasto de emendas parlamentares no RS.