Estudo aponta desinformação e estigma sobre aborto mesmo com 64% de apoio a serviços para vítimas de estupro
Levantamento da campanha Criança Não é Mãe e Instituto Patrícia Galvão mostra contradição entre apoio a serviços e desconhecimento sobre vítimas.

Um estudo da campanha "Criança Não é Mãe", organizado pelo Instituto Patrícia Galvão, revela desinformação sobre violência sexual e aborto legal no Brasil.
O levantamento “Percepção e Opinião da População Internauta sobre Violência Sexual e Aborto Legal” mostra que 64% dos participantes apoiam a universalização de serviços públicos para aborto legal e seguro às vítimas de estupro, mas apenas uma em cada três identifica meninas com menos de 14 anos como principais vítimas de estupro.
Em 2024, 60% dos 87.545 casos de estupro tiveram como vítimas meninas com menos de 14 anos; somadas, as adolescentes de 14 a 17 anos representaram 69,7% de todas as vítimas de estupro no Brasil.
Paula Viana, integrante da campanha Criança Não é Mãe, afirmou ao Conexão BdF que existe um "grande véu que cobre e estigmatiza o tema do aborto" e que falta política pública eficiente para reduzir a violência sexual contra meninas.
Viana avaliou que o estigma é alimentado por uma ação orquestrada de grupos conservadores e religiosos e apontou uma "desinformação muito séria e profunda" sobre direitos sexuais e reprodutivos de mulheres, meninas e pessoas que podem gestar.
A pesquisadora destacou que a legislação que garante aborto em caso de estupro é antiga, mas há "uma distância muito grande entre o direito e o acesso a esse direito" para as vítimas.
O levantamento também traz recorte racial: Viana observou que meninas negras estão entre as mais vulneráveis aos casos de violência sexual, percepção mais presente entre pessoas negras do que entre pessoas brancas.
64% — apoio à universalização de serviços públicos para aborto legal e seguro às vítimas de estupro
1 em 3 — proporção que identifica corretamente meninas <14 anos como principais vítimas de estupro
87.545 — número total de casos considerado; 60% com vítimas <14 anos
69,7% — participação de adolescentes de 14 a 17 anos entre todas as vítimas de estupro