Fundo eleitoral mantém vantagem dos incumbentes do RS para a Câmara
Em 2022, 30 dos 31 eleitos estavam entre as 70 campanhas mais bem financiadas; em 2026, 26 tentam reeleição e seguem bem financiados.

Levantamento de 2022 e os primeiros números de 2026 mostram que mais dinheiro aumenta a chance de eleger deputados federais pelo Rio Grande do Sul.
Em 2026, 26 dos 31 deputados federais eleitos em 2022 buscam reeleição e aparecem entre as candidaturas mais bem financiadas do Estado, impulsionadas pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
Em 2022, 30 dos 31 deputados federais eleitos pelo RS estavam entre as 70 campanhas que mais arrecadaram recursos no Estado; das 20 campanhas mais caras, 19 resultaram em mandato.
Maurício Marcon (então no Podemos) foi a única exceção em 2022: eleito sem estar entre as 70 campanhas mais caras, com 140.634 votos, impulsionado por forte presença nas redes e apoio da chamada “bolha bolsonarista”.
Sanderson (PL) não constava na lista das 70 mais em setembro de 2022, mas entrou no levantamento final após a comprovação de gastos e também contou com a “bolha bolsonarista”.
Giovani Feltes (MDB) gastou mais de R$ 2,5 milhões em 2022, teve 91.887 votos e ficou como primeiro suplente por o partido não alcançar quociente para quatro cadeiras.
Dos 31 eleitos em 2022, 27 deputados que tentaram a reeleição naquele ano concorreram — 22 se reelegeram diretamente; Marlon Santos (PL) conseguiu votos mas teve a candidatura indeferida pelo TSE.
Quatro deputados que tentaram reeleição em 2022 não voltaram: Giovani Feltes, Maurício Dziedricki (Podemos), Nereu Crispim (PSD) e Bibo Nunes (PL), sendo que Bibo herdou a cadeira de Marlon Santos.
Quatro deputados não tentaram renovar em 2022: Onyx (concorrendo ao governo), Henrique Fontana (PT), Jerônimo Goergen (PP) e Liziane Bayer (PSB), sendo Liziane substituída pela irmã Fran Bayer.
O FEFC é distribuído entre os partidos assim: 2% igualmente entre todos; 35% entre partidos com ao menos um deputado; 48% na proporção do número de deputados; 15% na proporção do número de senadores.
Partidos devem destinar ao menos 30% dos recursos a candidaturas femininas e distribuir verba de forma proporcional ao número de candidaturas negras (pretas e pardas) registradas.
Os dados indicam que parlamentares em exercício partem na frente não só pela exposição pública, mas pela musculatura financeira que tende a se retroalimentar: mandatos mais fortes atraem mais investimento para o próximo pleito.
30 de 31 — eleitos em 2022 que estavam entre as 70 campanhas mais arrecadadoras
140.634 — votos de Maurício Marcon em 2022
>R$ 2,5 milhões — gastos de Giovani Feltes em 2022
91.887 — votos de Giovani Feltes em 2022
26 — deputados eleitos em 2022 que tentam reeleição em 2026 e aparecem entre os mais financiados