Gastos com dívida em 2026 são 45 vezes maiores que necessidade para metas climáticas
O serviço da dívida previsto para 2026 consome 40,8% das receitas e equivale a US$ 437,6 bilhões, ante US$ 9,6 bilhões necessários para NDCs incondicionais

O Brasil prevê US$ 437,6 bilhões (R$ 2,32 trilhões) para serviço da dívida em 2026, 40,79% da receita estimada de US$ 1,07 trilhão.
Esse montante é 45 vezes superior aos US$ 9,6 bilhões (R$ 50,88 bilhões) calculados como necessários para financiar as NDCs incondicionais do país.
O cálculo reúne dívida interna e externa e usa previsões orçamentárias para 2026, não execução final, segundo o relatório Dívida agrava crise climática: Como o Financiamento Flui, da ActionAid, em parceria com a Development Finance International (DFI).
Os US$ 9,6 bilhões não refletem gastos atuais com clima; representam a necessidade de financiamento das metas incondicionais que devem ser bancadas pelo próprio país.
Pelos cálculos do levantamento, US$ 437,6 bilhões equivalem a 3,05 vezes os gastos com educação e 8,12 vezes os gastos com saúde em 2026.
O estudo integra análise mais ampla sobre como o endividamento reduz espaço orçamentário para políticas climáticas e serviços públicos nos países analisados.
"Por tempo demais, as crises da dívida e do clima foram tratadas separadamente", afirmou Arthur Larok, secretário-geral da ActionAid Internacional.
O relatório propõe cancelar dívidas consideradas injustas ou insustentáveis, suspender pagamentos após grandes desastres climáticos e priorizar doações em vez de empréstimos para financiamento climático, além de criar uma Convenção-Quadro da ONU sobre Dívida Soberana e rever avaliações de sustentabilidade do endividamento.