Governo sacrificou 500 galos na véspera de decisão que suspendeu o abate
Aves seriam destinadas ao aperfeiçoamento genético, enquanto Gabriel Souza, veterinário e defensor dos animais, permaneceu em silêncio

Cerca de 500 galos foram sacrificados pela Secretaria Estadual da Agricultura apenas um dia antes de a Justiça suspender o abate das aves apreendidas em Gramado. A decisão chegou tarde para a maioria dos animais, mortos antes mesmo da conclusão do inquérito e das perícias.
Segundo a defesa do empresário investigado, os galos da raça mura eram mantidos para seleção e aperfeiçoamento genético, recebiam alimentação adequada, acompanhamento veterinário e manejo especializado. Cada ave estaria avaliada entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.
A Polícia Civil apura suspeitas de utilização dos animais em rinhas. Se os crimes forem comprovados, os responsáveis devem ser rigorosamente punidos. Entretanto, isso não justificaria transformar os próprios galos em condenados e aplicar uma medida irreversível antes do encerramento da investigação.
Também chama atenção o silêncio do vice-governador Gabriel Souza. Médico-veterinário e apresentado politicamente como defensor da causa animal, ele não demonstrou publicamente o mesmo interesse quando poderia ter cobrado quarentena, exames sanitários, transferência ou outra solução técnica.
A Secretaria da Agricultura alegou falta de documentação e risco sanitário. Ainda assim, a pergunta permanece. Por que houve tanta pressa para matar e tão pouca disposição para preservar?