Igreja lança cartilha para orientar voto e uso de IA nas eleições de 2026
Publicação da CNBB Regional Sul 2 traz princípios, regras sobre propaganda em igrejas e medidas contra deepfakes

A Igreja Católica no Brasil disponibiliza a “Cartilha de Orientação Política 2026 – A Política Melhor e a Cultura do Encontro”.
A cartilha oferece princípios e orientações práticas para a participação de cristãos e cidadãos nas eleições de 2026, incluindo regras para identificação de conteúdos produzidos com inteligência artificial e restrições a deepfakes.
Elaborada no âmbito da CNBB Regional Sul 2, a publicação reúne temas como relação entre fé e política, funcionamento do sistema eleitoral, atribuições dos cargos em disputa, participação dos leigos, desinformação, uso da IA, justiça social, meio ambiente e cultura do diálogo.
Na mensagem de abertura, os bispos do Brasil afirmam que o ano eleitoral exige diálogo, espírito público e compromisso com pautas como enfrentamento das causas estruturais da pobreza, educação de qualidade, moradia digna e acesso à saúde, e pedem combater a compra e venda de votos.
A cartilha afirma que a Igreja não assume posições partidárias nem indica candidatos e não apresenta soluções técnicas para problemas sociais; propõe princípios morais inspirados no Evangelho, com ênfase na dignidade humana, justiça, solidariedade e bem comum.
O texto cita a Doutrina Social da Igreja e lista cinco princípios: dignidade da pessoa humana, bem comum, destinação universal dos bens, solidariedade e subsidiariedade, e trata a política como forma de serviço ao bem comum.
Para o voto consciente, recomenda conhecer candidatos e propostas para Executivo e Legislativo, evitar escolhas apenas por indicação ou número, praticar discernimento espiritual e priorizar os pobres e excluídos nas decisões políticas.
A cartilha desenvolve a “cultura do encontro” a partir da encíclica Fratelli Tutti, defendendo que adversários políticos sejam tratados como adversários, não inimigos, preservando diálogo, respeito e escuta.
No capítulo sobre desinformação, orienta desconfiar de mensagens sensacionalistas, verificar informação em veículos credíveis, conferir data e contexto e evitar compartilhar conteúdos sem origem identificada.
A publicação orienta que propaganda política, explícita ou disfarçada, não pode ocorrer dentro das igrejas nem em suas proximidades, e alerta sobre uso de imagens de candidatos ao lado de padres ou religiosos que sugiram apoio institucional.
A cartilha é destinada a cristãos e demais cidadãos para orientar participação política durante o ano eleitoral de 2026.