Itália pode deter jovens por até 12 horas em delegacias
Medida integra decreto sobre segurança que o governo de Giorgia Meloni pretende analisar nesta terça-feira, 20.
O governo italiano quer autorizar a polícia a manter menores de 18 anos em delegacias por até 12 horas se houver indício de que "representem perigo".
A mudança prevê também proibir aglomerações de pessoas consideradas ameaça à ordem pública e deve virar parte de um decreto-lei em análise na terça, 20.
Matteo Salvini, vice‑primeiro‑ministro e ministro dos Transportes, anunciou a proposta e disse que a polícia poderá deter menores mesmo sem crime cometido, com o objetivo de "intervir rapidamente junto aos jovens"; Salvini lidera o partido Liga.
Parte das medidas já consta na legislação atual ou em um projeto de lei sobre segurança aprovado pelo Conselho de Ministros em julho e em exame no Senado; equipes jurídicas do governo avaliam quais alterações incorporarão ao novo decreto.
O governo anunciou também o envio de mais 500 militares a Milão na segunda, 19, para reforçar a segurança, ação que Salvini classificou como "das palavras à ação" nas redes sociais.
Milhares protestaram pacificamente contra o custo de vida no norte da Itália no fim de semana, e algumas manifestações viraram violentas, com saques e confrontos com a polícia em cidades como Milão e Bolonha.
Em Milão mais de 5 mil pessoas se reuniram ao longo do fim de semana; relatos apontam que centenas de manifestantes, muitos aparentemente menores, incendiaram lixeiras e saquearam lojas no centro.
No sul, agricultores e caminhoneiros bloquearam portos e rodovias em protesto contra a alta dos combustíveis, ligada à guerra entre EUA/Israel e Irã.
12 horas — tempo proposto para retenção de menores em delegacias
500 militares — reforço anunciado para Milão, na segunda, 19
mais de 5.000 — participantes em Milão durante o fim de semana
cerca de 50 — prisões registradas em Milão; 7 detidos em Bolonha
~20 — manifestantes feridos; 1 policial ferido; entre os feridos está Angelo de Simone, chefe de comissariado, com ferimento na cabeça
O presidente Sergio Mattarella condenou a violência e pediu "uma análise inteligente e aprofundada" das circunstâncias, afirmando que "toda forma de violência é inaceitável".
O próximo passo é a análise do decreto-lei sobre segurança pública pelo governo na terça, 20, para possível inclusão das medidas anunciadas.