Malha ferroviária do RS encolheu e deixa estado desconectado por trilhos
Extensão em operação caiu para 921 km após enchente; contrato de diagnóstico deve ser assinado até o fim do mês

A extensão ferroviária em operação no Rio Grande do Sul caiu para 921 quilômetros e o estado ficou praticamente desconectado por trilhos.
A redução compromete rotas de escoamento e gera perdas logísticas estimadas entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, segundo representantes da indústria.
A enchente de 2024 destruiu trechos e deixou locomotivas paradas em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, interrompendo conexões estratégicas que antes atendiam o Polo Petroquímico e o transporte de fertilizantes.
A malha tinha 1.952 km em 2016, havia 1.680 km em funcionamento antes do desastre climático e caiu para 921 km atualmente; um dos poucos trechos ativos liga Cruz Alta ao Porto de Rio Grande.
Hoje nenhuma composição parte do Rio Grande do Sul rumo a centros consumidores como São Paulo, o que, na avaliação da Fiergs, prejudica a competitividade com a reforma tributária prevista para 2033 e 2034.
Ricardo Portella, vice-presidente da Fiergs, afirmou que o RS precisa de logística para competir com o Sudeste quando a reforma tributária estiver em vigor.
Codesul e o BRDE lançaram licitação para contratar consultoria técnica que elabore diagnóstico da Malha Sul e proponha reconstrução e expansão; o contrato deve ser assinado até o final deste mês, com prazo de dez meses para conclusão.
Leonardo Busatto, diretor de Planejamento do BRDE, disse que o estudo propõe um modelo integrado ampliado para atender o Rio Grande do Sul pelos próximos 30 anos.
Luiz Afonso Senna, professor da UFRGS e PhD em transportes, alertou que a falta de ferrovia eleva custos ao deslocar carga para caminhões e reduz competitividade frente ao Centro-Oeste.
Além das ferrovias, obras rodoviárias enfrentam atrasos: a duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande tem 115,7 km previstos e investimento de R$ 1,4 bilhão, e reconstruções na BR-470 e BR-116 somam mais de R$ 700 milhões.
Setores privados criticam a desconexão ferroviária e a falta de interesse em concessões rodoviárias; Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federasul, questionou a viabilidade de um Estado próspero sem ferrovia conectada ao país.
Delmar Albarello, presidente do Setcergs, defendeu a ERS-010, projeto de 42,4 km ligando a Freeway à ERS-239, que resolveria trânsito entre Canoas, São Leopoldo, Sapucaia e Campo Bom.
Portos RS aponta 375 km de canais navegáveis sob gestão e defende dragagem para recuperar acesso a terminais industriais e navios de longo curso.