Manual da polarização: chamou de fascista, encerrou o debate
Manifestação ocorre nesta sexta em Porto Alegre contra adversários políticos

Partidos e movimentos de esquerda convocaram para esta sexta-feira (18) um ato contra a chamada extrema direita em Porto Alegre. A concentração será às 18h30, no Largo Zumbi dos Palmares, no Centro Histórico.
A mobilização reúne partidos, candidatos, movimentos sociais e artistas nas semanas finais da campanha eleitoral. Entre os principais alvos políticos estão nomes identificados pelos organizadores com o bolsonarismo.
E lá está ele novamente, o “fascismo”.
A palavra virou uma espécie de canivete suíço do debate político. Discordou? Fascista. É conservador? Fascista. Está do outro lado da eleição? Dependendo do discurso, fascista também.
O detalhe inconveniente é que fascismo possui definição e contexto histórico próprios. Autoritarismo, por sua vez, atravessou diferentes correntes políticas. Regimes de esquerda também acumularam exemplos históricos de censura, perseguição política, partido único e repressão a opositores.
Por isso, há certa ironia em transformar qualquer adversário em símbolo do autoritarismo enquanto se esquece convenientemente dos autoritarismos praticados em nome de outras ideologias.
Antes do próximo cartaz, talvez valha consultar um livro de História. Quando todo mundo que pensa diferente vira “fascista”, a palavra deixa de definir alguma coisa e passa a revelar muito mais sobre quem a utiliza.