Mauro Vieira diz que governança global entrou em “colapso” e pede multilateralismo
Discurso foi na abertura da cúpula do Brics, em Nova Delhi; ministro defende reformas no Conselho de Segurança, OMC, FMI e Banco Mundial

O chanceler Mauro Vieira afirmou neste sábado (12), em Nova Delhi, que a atual governança global entrou em “colapso” e pediu um “multilateralismo renovado e legítimo”.
Vieira disse que o Brasil defende reformas profundas no sistema de governança global, citando especificamente o Conselho de Segurança da ONU, a OMC, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial como alvos das mudanças.
O discurso foi na abertura da cúpula do Brics; o ministro representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não participou por causa da reta final da campanha eleitoral.
Vieira citou a crise humanitária em Cuba, as intervenções na América Latina e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio como exemplos de desrespeito ao direito internacional.
O ministro afirmou que “a paralisia virtual do Conselho de Segurança contribui para a erosão da arquitetura de paz e segurança internacionais”, defendendo que o Sul Global seja o motor das reformas.
Ele também pediu unidade no Brics apesar das posições divergentes entre membros, afirmando que o grupo ampliado deve atuar “como uma força coesa em prol dos interesses do Sul Global”.
Às margens da cúpula, Vieira teve reuniões bilaterais com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla; o chanceler do Irã, Abbas Araghchi; e a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala.
Com o cubano, Vieira discutiu o impacto das sanções econômicas que impedem Cuba de comprar petróleo e causa crise humanitária; o Brasil defendeu a inclusão de um parágrafo condenando as sanções no comunicado final do Brics, aprovado por unanimidade.
Araghchi apresentou a Vieira a posição do Irã sobre uma possível saída negociada para a guerra com os Estados Unidos, dizendo que uma solução diplomática seria possível apenas nas condições do memorando de entendimento que levou ao cessar‑fogo temporário.