Mulheres são alvo de mais violência verbal na política, aponta levantamento
Levantamento das organizações Justiça Global e Terra de Direitos, com dados de 2022 a 2024, mostra que mulheres cisgênero sofrem 62,2% mais ofensas verbais do que homens cisgênero

Embora os homens ainda sejam a maioria das vítimas de violência política, as mulheres continuam enfrentando ataques mais frequentes de natureza verbal e psicológica. Levantamento das organizações Justiça Global e Terra de Direitos, com dados de 2022 a 2024, mostra que mulheres cisgênero sofrem 62,2% mais ofensas verbais do que homens cisgênero.
O estudo aponta que mulheres cis e trans representam 38,4% dos casos de violência política registrados. No período analisado, foram contabilizadas 135 ameaças e 19 ameaças de estupro contra mulheres, enquanto cerca de 40% dos ataques ocorreram em ambientes virtuais.
Desde 2021, a violência política contra a mulher é considerada crime eleitoral. Apesar da legislação, especialistas avaliam que candidatas, parlamentares, militantes e dirigentes partidárias continuam sendo alvo de intimidações, inclusive dentro das próprias estruturas partidárias, o que acaba afastando muitas mulheres da vida pública.
Segundo especialistas, o aumento dos registros também pode estar relacionado à maior conscientização das vítimas e ao fortalecimento dos canais de denúncia. O Tribunal Superior Eleitoral mantém iniciativas como a plataforma TSE Mulheres e um guia de segurança digital voltado às candidatas para incentivar a participação feminina na política e combater esse tipo de violência.