Nota de rede jesuíta sobre a eleição envolve Colégio Anchieta em polêmica
RJSA publicou texto em 15ª; deputada eleita Ali Klemt cobrou explicações do colégio, que se declarou apartidário

A Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental (RJSA) divulgou em 15 uma nota chamada “Um Voto pela Democracia” que relaciona o avanço da extrema direita ao “enfraquecimento da democracia”.
A publicação cita o Papa Leão XIV e pede que eleitores observem “qual candidatura mais se aproxima da exigência do bem comum”, antes do segundo turno marcado para 25 de outubro.
A nota motivou a deputada estadual eleita Ali Klemt (PL) — mãe de alunos do Colégio Anchieta — a publicar vídeo cobrando se o colégio concorda com o texto e se o PL se enquadra na definição de extrema direita; Klemt foi recebida pela direção na manhã de segunda (19).
O Colégio Anchieta, única escola de educação básica vinculada à Companhia de Jesus no Rio Grande do Sul, publicou comunicado afirmando que “não participa ou apoia manifestações e campanhas de natureza político-partidária” e que respeita a liberdade de pensamento da comunidade escolar.
A Província Jesuíta no Brasil esclareceu que a Companhia de Jesus atua por redes distintas: o Anchieta integra a Rede Jesuíta de Educação, enquanto o material eleitoral foi produzido pela Rede de Justiça Socioambiental, que, conforme a ordem, não tem ingerência sobre a área educacional.
O Sindicato do Ensino Privado do RS (Sinepe/RS) enviou nota afirmando que respeita a autonomia das instituições escolares e a liberdade de pensamento, e que reconhece o papel das escolas na promoção do pensamento crítico.
A Companhia de Jesus foi aprovada pelo Papa Paulo III em 27 de setembro de 1540, tem mais de 485 anos de história e está presente em cerca de cem países; em 2013 Jorge Mario Bergoglio tornou-se o primeiro pontífice jesuíta, com o nome Francisco.
Não há, até o momento, previsão de manifestação da coordenação nacional da organização sobre o episódio.