Pesquisador da Unifesp pede proibição total das apostas online
Altay de Souza diz que bets geram endividamento, depressão e que quase R$ 140 bilhões foram evadidos do Brasil.

Presidente Lula anunciou a proibição total das apostas online; pesquisador da Unifesp defende a medida.
A proibição mira danos concretos: 34% dos jovens que planejavam cursar faculdade privada adiaram o sonho por causa das apostas e quase R$ 140 bilhões teriam sido evadidos.
O psicólogo Altay de Souza, pesquisador de Psicologia Econômica e Estatística aplicada da Universidade Federal de São Paulo, afirmou em entrevista ao Conexão BdF que "as bets precisam ser proibidas, não reguladas" e classificou as apostas como um ataque ao tecido social.
Souza pesquisa o fenômeno desde 2021 e disse que, já há cinco anos, havia evidências de que as apostas eram problemáticas; ele atribui ao setor impacto crescente na saúde mental, incluindo agravamento de depressão e risco de suicídio.
O pesquisador afirmou que a maioria dos apostadores é masculina e que, entre mulheres, a prevalência está em quem tem mais de 50 anos; ele também afirmou que 20% da população brasileira considera apostas um investimento.
Souza explicou mecanismos psicológicos: "aversão à perda" — para cada R$ 1 perdido a pessoa só se sente recompensada ao recuperar R$ 2,25 — e alertou sobre o uso de algoritmos e publicidade das casas de aposta para persuadir usuários.
Ele lembrou que a primeira regulação sobre jogos ocorreu na década de 1930, que nos anos 2000 houve retorno de bingos e que as apostas chegaram com força total no governo Michel Temer.
Souza estimou que, mesmo com a proibição das apostas online, os custos ao sistema de saúde só serão restabelecidos em oito a dez anos.
34% — jovens que adiaram faculdade privada por causa das apostas
R$ 140 bilhões — valor apontado como evadido do Brasil por conta das bets
20% — parcela da população que considera apostas um investimento
8–10 anos — prazo estimado para os custos do sistema de saúde se restabelecerem