Petróleo em Oiapoque divide sonhos e medo de derramamento na Amazônia
Petrobras descobriu hidrocarbonetos; produção pode demorar seis ou sete anos, e comunidade teme impacto ambiental e social

Petrobras identificou hidrocarbonetos em um poço a 175 km da costa, gerando esperança e receio em Oiapoque, Amapá.
A descoberta promete royalties e emprego: um estudo do Observatório Nacional da Indústria estima mais de 50.000 vagas no estado; a presidente da Petrobras disse que produção só deve começar em seis ou sete anos.
A aldeia Mangá fica a cerca de 20 km do centro de Oiapoque; o cacique Wagner Karipuna, 57 anos, diz temer "uma desgraça imensa" caso ocorra derramamento que chegue ao rio Curipi, que banha 1.800 habitantes da aldeia.
Wagner relata barulho diário de helicópteros e aviões e afirma estar "decepcionado" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitou a região e chamou o petróleo de "passaporte para o futuro" enquanto busca reeleição em outubro.
Joelso Mendonça, 50 anos, vice de um grupo de cerca de 400 pescadores tradicionais, teme perda de mercado: "ninguém vai querer comprar peixe de uma área afetada pelo petróleo".
A prefeitura estima que a população de Oiapoque cresceu para entre 40.000 e 45.000 habitantes, acima dos cerca de 28.000 do censo de 2022; mais da metade recebe o Bolsa Família.
O prefeito Inácio Monteiro Maciel diz estar "muito otimista" e admite que terá que "praticamente começar tudo do zero" em infraestrutura e políticas sociais.
Especulação imobiliária expulsa famílias do centro para bairros periféricos; Thais Pereira de Souza, 32 anos, vive em casa sem água nem energia com quatro parentes e espera que "a vida melhore".
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, confirmou o prazo de seis ou sete anos para início da produção e afirmou que análises "não indicam a probabilidade" de óleo chegar ao litoral em caso de derramamento.
Lilma Campos, presidente da Associação Comercial e Industrial de Oiapoque, evita exageros: menciona "mudança radical" potencial, mas rejeita comparar a cidade a um "novo Dubai" sem garantias.
175 km — distância do poço ao litoral onde foram identificados hidrocarbonetos
20 km — distância da aldeia Mangá ao centro de Oiapoque
1.800 — habitantes da aldeia Mangá
400 — pescadores no grupo liderado por Joelso Mendonça
50.000 — vagas estimadas no Amapá por estudo do Observatório Nacional da Indústria
6 a 7 anos — prazo estimado pela presidente da Petrobras para início da produção
A Petrobras diz ter feito "ajustes" no tráfego aéreo após reuniões com líderes indígenas.
Próximo passo: comunidades e autoridades locais aguardam programas de infraestrutura, negociação de royalties e medidas ambientais nos anos antes do início da produção.