PF associa 52 notas no iPhone de Vorcaro a envio para número ligado a 'Alexandre de Moraes'
Relatório de 218 páginas, produzido na Operação Compliance Zero, teve sigilo retirado por André Mendonça e gerou defesa de Moraes em petição de 44 páginas.

Relatório da Polícia Federal, com 218 páginas, vincula 52 anotações no iPhone de Daniel Vorcaro a envios ao número salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
A defesa de Alexandre de Moraes afirma que 47 das 52 anotações são inferências; apenas cinco foram localizadas nas conversas do WhatsApp, e Moraes calcula 90,4% de suposições.
O documento foi produzido no âmbito da Operação Compliance Zero; o sigilo foi retirado por decisão do ministro André Mendonça.
A PF descreve cadeia forense: nota aberta no app Notas, screenshot, geração automática de PDF temporário no iOS (pasta tmp), abertura do WhatsApp, registro de envio nos logs e fechamento de aplicativo.
A perícia usou extração física do aparelho e indexação por software forense IPED, cruzando metadados de criação da nota, horário do print, geração do PDF temporário, abertura e fechamento de aplicativos e logs de envio.
Exemplo do relatório: em 30 de outubro de 2025, captura às 16h32min31s; cinco segundos depois WhatsApp aberto; às 16h33min03s registrado envio ao contato “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Cinco notas de 17 de novembro de 2025, dia da primeira prisão de Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, foram localizadas nas conversas; as outras 47 não aparecem como texto na área de conversação do WhatsApp.
O relatório cita o “terminal” identificado nos logs como o número 556192664093, salvo na agenda de Vorcaro sob quatro rótulos: “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”; esses cartões teriam sido compartilhados por Fábio Faria em 26 de dezembro de 2023, às 11h43.
Juristas que comentaram o material, entre eles Pedro Serrano e o criminalista Bruno Salles Pereira Ribeiro, dizem que texto no aparelho não prova que Moraes recebeu ou leu a mensagem. Bruno Salles é mestre e especialista em Direito Penal pela Faculdade de Direito da USP e autor premiado.
A defesa de Moraes apresentou ao presidente do STF, Edson Fachin, uma petição de 44 páginas alegando que o relatório “presume, sem qualquer efetiva comprovação” que a anotação foi enviada ao destinatário.
218 páginas — extensão do relatório da PF
52 anotações — notas reconstituídas no iPhone de Daniel Vorcaro
5 notas — encontradas nas conversas do WhatsApp (17/11/2025)
47 notas — não encontradas nas conversas (90,4% segundo a defesa)