Plano de Cleitinho promete cortar cargos e ampliar serviços sem explicar fonte de recursos
Documento registrado no TSE usa slogans e repete políticas antigas; análise recai sobre relatório do TCE-MG de 2025

O plano de governo de Cleitinho (Republicanos) registra no TSE promessas de cortar cargos comissionados, recompor salários e ampliar serviços sob o lema “O Povo Primeiro!”.
Essa estratégia não indica como aumentará a receita nem como cumprirá limites legais, e a análise recai sobre o Relatório de Macrogestão e Contas do TCE-MG referente a 2025.
O documento traz slogans como “o dinheiro é do povo, não do governo” e afirma que o Estado fará “mais com menos” reduzindo privilégios e estrutura política.
O plano propõe criar uma Sala de Monitoramento da Gestão, indicadores de desempenho, Fóruns Regionais de Gestão Pública, Observatório das Igualdades, Plantão Digital da Polícia Civil e ampliar programas como REDESIM + Livre e Orçamento de Base-Zero.
A proposta cita alfabetização na idade certa e suporte técnico continuado aos municípios, sem apresentar dados iniciais, déficits quantificados ou índices de desempenho educacional.
O texto do plano relembra políticas anteriores: Choque de Gestão dos governos Aécio Neves e Anastasia, Programa de Intervenção Pedagógica (PIP) e práticas do governo Fernando Pimentel, sem avaliar por que sofreram descontinuidade ou falhas.
Dados fiscais do TCE-MG mostram restrições orçamentárias significativas em Minas Gerais em 2025:
48,80% — gasto com pessoal sobre a Receita Corrente Líquida (1º quadrimestre de 2025)
48,52% — gasto com pessoal (2º quadrimestre de 2025)
48,22% — gasto com pessoal (3º quadrimestre de 2025)
R$ 1,33 bilhão — pagamento de férias-prêmio convertido em espécie entre 2021 e 2025
R$ 25 bilhões — volume de renúncias fiscais entre 2021 e 2025, crescimento real de 37,3%
29,2% — participação dos incentivos fiscais na arrecadação de ICMS em 2025
21,5% — participação dos incentivos fiscais na Receita Tributária estadual em 2025
O Estado descumpriu a meta de resultado nominal da LDO para 2025, com déficit de R$ 18,85 bilhões ante meta de R$ 10,92 bilhões, citando alteração em acordo de pagamento da dívida.
A avaliação conclui que a margem financeira gerada pela eliminação de cargos comissionados é insuficiente para custear recomposição salarial, novos concursos e ampliação de serviços sem aumento de receita ou medidas detalhadas de financiamento.
Cabe agora confrontar o plano de Cleitinho e o candidato a vice Luís Eduardo Falcão (PSD) com estimativas plurianuais, memórias de cálculo e indicadores de neutralidade fiscal exigidos pelo TCE-MG para avaliar viabilidade e sustentabilidade.