Próximo governador herdará déficit bilionário, dívida e caixa sem recursos das privatizações
Zero Hora aponta déficit de R$ 4 bilhões, volta da dívida com a União e fim dos bilhões adquiridos nas privatizações

Quem assumir o governo do Rio Grande do Sul em janeiro de 2027 encontrará um cenário bem diferente daquele dos últimos anos. Reportagem publicada nesta segunda-feira (15) por Zero Hora aponta uma combinação de déficit bilionário, retomada do pagamento da dívida com a União, redução da capacidade de investimento e praticamente o fim dos recursos extraordinários obtidos com privatizações.
A LDO de 2027 prevê déficit orçamentário de R$ 4 bilhões e déficit primário de R$ 4,8 bilhões.
Outro ponto de pressão será a dívida com a União. A partir de maio, o Estado deverá retomar pagamentos que, mesmo no cenário mais favorável apresentado pela reportagem, poderão representar R$ 2,1 bilhões no primeiro ano. Para obter as melhores condições do Propag, o RS ainda precisa viabilizar uma amortização de R$ 21 bilhões, que o Piratini pretende fazer por meio da cessão de receitas futuras.
Também praticamente acabou o colchão financeiro das privatizações. As vendas de Corsan, operações da CEEE e Sulgás colocaram cerca de R$ 8,7 bilhões extras no caixa estadual. Segundo Zero Hora, restam aproximadamente R$ 37 milhões, apenas 0,4% desse montante.
A reportagem ainda aponta risco de aumento das despesas previdenciárias, R$ 16,6 bilhões em precatórios ao final de 2025 e necessidade de ampliar gradualmente os gastos em saúde e educação.
O próximo governo, portanto, encontrará menos receitas extraordinárias disponíveis e uma lista de compromissos fiscais já contratados. O próprio governo Leite classifica a situação projetada para 2027 como de “equilíbrio fiscal frágil”.