RS registra 2.308 eleitores trans com nome social no título, maior número já visto
São quase seis vezes mais do que os 413 cadastrados em 2018; candidaturas trans também batem recorde nacional

2.308 eleitores trans no Rio Grande do Sul vão usar o nome social no título de eleitor, o maior número já registrado no estado.
O total é quase seis vezes maior que os 413 cadastrados em 2018, primeira eleição que permitiu a inclusão sem exigir documentos retificados ou cirurgia de adequação de gênero.
A cozinheira Natasha Maciel da Luz, 44 anos, diz que ser chamada pelo nome com que se reconhece na seção eleitoral representa respeito; ela relatou constrangimentos em consultas médicas quando foi chamada pelo nome de registro.
Natasha afirmou que o título foi o primeiro documento em que conseguiu registrar o nome escolhido e que agora pretende atualizar a certidão de nascimento, a carteira de identidade e outros documentos.
A professora Diana de Almeida, 35 anos, disse que o reconhecimento “evita situações de humilhação” e pode incentivar mais eleitores trans a votar; ela afirmou que quem se sente acuado tende a não voltar.
A Associação Nacional de Travestis e Transexuais registrou 116 candidaturas de trans e travestis no país neste ano, o maior número desde o início do levantamento em 2014; no RS são 12 candidaturas.
O professor Augusto Neftali de Oliveira, da PUCRS, avalia que o uso do nome social e a presença de candidaturas LGBT+ ampliam a participação democrática.
A Justiça Eleitoral pergunta pela primeira vez sobre orientação sexual e identidade de gênero dos candidatos, mas responder não é obrigatório.
2.308 — eleitores trans no RS que usarão nome social no título
413 — eleitores cadastrados em 2018
116 — candidaturas de trans e travestis no país neste ano
12 — candidaturas no RS
6,51% — alta em relação às eleições municipais de 2024
Natasha pretende, como próximo passo, atualizar certidão de nascimento, carteira de identidade e demais documentos.