Se aparecer mais uma resolução, candidato vai precisar de despachante para fazer campanha
Gustavo Paim critica o emaranhado de regras eleitorais e questiona se tantas limitações não acabam afastando ainda mais candidatos e eleitores

A cada eleição, fazer campanha no Brasil parece exigir um manual de instruções cada vez maior. Mantido o ritmo, não será surpresa se, daqui a alguns anos, o candidato precisar pedir alvará, licença ambiental e autorização judicial antes de colocar uma bandeira na rua.
A ironia resume uma crítica feita por Gustavo Paim no Atualidades Pampa. Para ele, o excesso de restrições transforma uma atividade essencial da democracia, apresentar candidatos e propostas à população, em uma verdadeira corrida de obstáculos.
O resultado alimenta uma contradição. Cobra-se que o brasileiro conheça os candidatos, compare propostas e vote de maneira consciente, enquanto a propaganda eleitoral é cercada por uma extensa regulamentação.
Depois, vem a velha frase, “não gosto de política”. O problema é que a política continua gostando do bolso do cidadão. Impostos, tarifas, segurança, saúde, educação e serviços públicos passam pelas decisões de quem foi eleito.
A questão levantada por Paim é simples. Até que ponto regulamentar protege o processo eleitoral e a partir de que ponto o excesso de regras dificulta justamente aquilo que uma eleição deveria proporcionar, o encontro entre candidato e eleitor?