Secas na bacia do Paraíba do Sul podem ficar até 7 vezes mais severas
Pesquisadores projetam estiagens mais longas; sub-bacia do Paraibuna pode passar de 8 meses para mais de 2 anos seguidos

Estudo projeta secas até sete vezes mais severas e mais longas na Bacia do Paraíba do Sul, que abastece cerca de 20 milhões de pessoas.
Na sub-bacia do Paraibuna, a duração da estiagem pode saltar de cerca de oito meses para mais de dois anos até o fim do século; a severidade pode aumentar até sete vezes, e a estação de Santa Cecília pode subir de 7,9 para 58 pontos no pior cenário.
O artigo saiu na Revista Brasileira de Recursos Hídricos nesta sexta-feira (21); autoria inclui pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e introduz o índice Drip, aplicado pela primeira vez à bacia.
O Drip prioriza dados de estresse hídrico em vez de só chuva e, segundo o estudo, reduz incertezas climáticas em até 70% na avaliação de secas.
A Bacia do Rio Paraíba do Sul tem 62.074 km², abrange 184 municípios em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e abastece reservatórios do Alto Paraíba do Sul, Paraibuna, Santa Branca e Jaguari, com ligação ao Sistema Cantareira.
A região já enfrentou secas grandes entre 2001–2003 e 2014–2015 (esta última a mais seca desde 1931); em 19 de agosto deste ano a medição registrou o 11º menor volume desde 1998.
Entre 2013 e 2015 houve revezamento e interligação de reservatórios para racionamento; em junho a Sabesp recebeu aval para captar água da bacia para aliviar o Cantareira, após acordo entre os três estados e a agência reguladora.
Programas e investimentos em curso incluem R$ 253 milhões aplicados em 2025 no Programa Rios Vivos em São Paulo e previsão de R$ 108 milhões pelo Comitê Guandu-RJ ao longo de 2026.
62.074 km² — área da Bacia do Paraíba do Sul
184 municípios — abrangência da bacia
cerca de 20 milhões — população atendida
7,9 → 58 — severidade média projetada na estação de Santa Cecília (cenário pessimista)
R$ 253 milhões — desassoreamento em 2025 pelo Programa Rios Vivos
“Precisamos aproveitar os períodos mais tranquilos para nos preparar o máximo possível”, disse Lucas Almeida, um dos autores, ao comentar a necessidade de planejamento.
Os autores pedem aplicação do índice Drip na gestão hídrica e investimentos em infraestrutura, reúso de água e arranjos de revezamento mais permanentes como próximos passos concretos.