SIMERS: Brasil terá 1,4 milhão de médicos até 2035; desemprego cresce
Dr. Marcelo Marsillac critica abertura de faculdades sem infraestrutura e avanço judicial que amplia oferta sem qualidade.

Brasil deve chegar a 1,4 milhão de médicos até 2035, e o aumento na formação já alimenta desemprego e endividamento entre jovens graduados.
O crescimento desordenado de faculdades de medicina, impulsionado por decisões judiciais e interesses comerciais, não reduziu mensalidades e piorou a oferta de trabalho para recém-formados.
Na manhã de segunda-feira (14), no programa Primeira Hora, o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul (SIMERS), Dr. Marcelo Marsillac, afirmou que o sindicato tenta barrar a abertura de novos cursos e a liberação judicial de formandos reprovados em avaliações de desempenho profissional.
Sobre saúde no interior, Marsillac disse que a recusa de médicos experientes vem da precariedade dos contratos locais — terceirizações via pessoa jurídica e empresas que entram, saem e deixam dívidas trabalhistas — e defendeu carreiras públicas estruturadas, remuneração justa e insumos nas Unidades Básicas de Saúde.
"Trazem o médico por um contrato PJ com uma relação com uma empresa que entra, sai, deixa dívidas e vai embora", disse Marsillac durante o programa, ao pedir contratos que permitam ao profissional criar raízes na cidade.
O SIMERS mantém dezenas de ações judiciais e administrativas para auditar autorizações de cursos e exigir critérios técnicos do Ministério da Educação, como barreira para preservar a formação e a prática médica.
1,4 milhão — projeção do total de médicos até 2035
Dezenas de ações — processos em andamento pelo SIMERS para auditar autorizações e exigir critérios do MEC
O próximo passo do sindicato é prosseguir com as ações judiciais e administrativas em curso para tentar frear novas autorizações de cursos e a liberação de formandos reprovados.