Vale do Rio Pardo busca guardar água que hoje causa enchentes e estiagens
Técnicas no solo, cisternas e programas como o Irriga+RS aparecem como soluções, mas faltam infraestrutura, crédito e viabilidade técnica

Vale do Rio Pardo convive há quase uma década com enchentes em meses e falta de água em outros.
A consequência prática: produtores precisam avaliar custos e viabilidade antes de construir reservatórios; o programa estadual Irriga+RS oferece subvenção, com prazo até 30 de outubro de 2026.
A Emater regional Soledade e o gerente Rotiére Guarienti dizem que melhorar a capacidade do solo é medida acessível para aumentar a segurança hídrica nas propriedades.
O Programa Operação Terra Forte diagnosticou cerca de 3 mil áreas produtivas em aproximadamente 2 mil propriedades no Estado, com 80% apresentando limitações físicas ou químicas.
Das últimas sete safras, seis foram marcadas por La Niña, com chuvas irregulares; no Vale, estima-se que 300 mil hectares de soja e 55 mil hectares de milho ficaram expostos à falta de água.
Práticas recomendadas incluem construir fertilidade até cerca de 30 centímetros de profundidade para aumentar porosidade e retenção de água no solo.
Cisternas, açudes e recuperação de nascentes já existem na região, principalmente em hortaliças, fruticultura, pastagens e milho para silagem; irrigação de grandes áreas de soja e milho exige reservatórios maiores e sistemas complexos.
Obstáculos à ampliação da irrigação: relevo, tipo de solo, custo do investimento e acesso ao crédito; um reservatório precisa ter local adequado, capacidade de retenção e viabilidade técnica e ambiental.
3.000 — áreas produtivas avaliadas pelo Programa Operação Terra Forte
2.000 — propriedades rurais avaliadas no Estado
80% — propriedades com limitações físicas ou químicas
300.000 ha — soja exposta à falta de água no Vale do Rio Pardo (estimativa)
55.000 ha — milho exposto à falta de água no Vale do Rio Pardo (estimativa)
"Fazer um bom manejo de solo associado a tecnologias disponíveis, como época de plantio, ciclo das cultivares, população de plantas por hectare e genética, já garante patamares produtivos mais elevados", disse Rotiére Guarienti.
O próximo passo para produtores interessados é submeter propostas ao Irriga+RS até 30 de outubro de 2026 para concorrer à subvenção de 20% do projeto, limitada a R$ 150 mil, paga em parcela única após execução e comprovação da obra.