Eleições

Congresso terá bancada feminina recorde: 18 senadoras e 109 deputadas

Distrito Federal terá os três assentos do Senado ocupados por mulheres; chegada de 12 senadoras em um pleito é inédita

PRedação Política.SE18 de out. de 2026, 10h31
Congresso terá bancada feminina recorde: 18 senadoras e 109 deputadas
Reprodução: ajn1.com.br

O próximo Congresso terá 18 senadoras (22% do Senado) e 109 deputadas federais (21% da Câmara).

O Distrito Federal será a primeira unidade federativa com os três assentos do Senado ocupados por mulheres: Damares Alves (Republicanos), Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas no último dia 4; Michelle e Bia tomarão posse em fevereiro, junto com outras dez novas senadoras — 12 mulheres eleitas no mesmo pleito, recorde.

A legislatura que começou em 2023 tinha 11 senadoras e 91 deputadas, contra os 18 e 109 que entram no ano que vem.

A primeira deputada eleita foi Carlota Pereira de Queirós (SP), em 1933; a Câmara só atingiu um número relevante de mulheres em 1987, com 26 mulheres empossadas.

O avanço no Senado foi mais lento: Eunice Michiles (Arena-AM) assumiu em 1979 e Laélia de Alcântara (PMDB-AC) em 1982 como suplentes; as primeiras senadoras eleitas chegaram em 1991 — Júnia Marise (PRN-MG) e Marluce Pinto (PTB-RR).

A lei de 1997 instituiu cotas de 30% para candidaturas femininas nas eleições proporcionais, em 2009 “reservar” foi substituído por “preencher”, e desde 2022 a Emenda Constitucional 117 obriga pelo menos 30% do tempo de rádio e TV e do fundo de campanha para candidaturas femininas.

"As mulheres chegam à política com trajetórias e experiências distintas", diz a socióloga Vanilda Chaves, que avalia que essa diversidade amplia a agenda legislativa; a cientista política Mayra Goulart destaca que o avanço resulta da pressão da militância feminina e tem efeito simbólico para novas lideranças.

Apesar do avanço, a proporção feminina ainda fica abaixo da população: mulheres são cerca de 51% do Brasil. Em ranking da União Interparlamentar, a Câmara está em 138º entre 183 países; o Senado, em 62º entre 79.

Especialistas apontam barreiras partidárias: direções e recursos concentram-se em cargos masculinos; em 2020 o TSE recomendou aplicar a reserva de 30% também nas cúpulas partidárias, mas a decisão foi ignorada; PT e PSOL adotam paridade em instâncias decisórias.

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